O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), gerou polêmica ao defender mudanças nas regras sobre trabalho infantil no Brasil. A declaração foi dada durante uma entrevista ao podcast Inteligência Limitada, exibida no Dia do Trabalhador, 1º de maio de 2026. Zema sugeriu que crianças poderiam realizar tarefas simples, desde que a educação permanecesse como prioridade. A fala provocou uma onda de reações, tanto de aliados quanto de opositores.

Boulos aponta dedo em Zema em plena entrevista jornalística sobre trabalho infantil.
Fonte: www.poder360.com.br | Reprodução

O que Romeu Zema disse sobre o trabalho infantil

Durante o podcast, Zema defendeu que crianças poderiam realizar atividades como entrega de jornais, algo comum, segundo ele, nos Estados Unidos. Ele afirmou: "Lá fora, nos Estados Unidos, criança sai entregando jornal. Recebe lá não sei quantos cents por cada jornal entregue, no tempo que tem. Aqui é proibido, você está escravizando criança." O pré-candidato também citou sua própria experiência pessoal para sustentar o argumento. Ele relatou que, quando jovem, ajudava seu pai em uma loja, desempenhando atividades como contar parafusos e embrulhar produtos.

A declaração gerou forte repercussão, especialmente por ter sido feita em uma data emblemática como o Dia do Trabalhador, quando questões relacionadas a direitos trabalhistas ganham ainda mais destaque.

Boulos aponta dedo em Zema em plena entrevista jornalística sobre trabalho infantil.
Fonte: www.poder360.com.br | Reprodução

Reações de Guilherme Boulos e outros líderes políticos

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL-SP), foi um dos primeiros a se manifestar. Em seu perfil oficial na rede social X, ele classificou a fala de Zema como um "ato de covardia" e afirmou: "Defender o trabalho infantil é um ato de covardia. O cidadão que faz isso no Dia do Trabalhador vai além: dá sérios sinais de ser um psicopata. O nome dele é Romeu Zema."

Outros líderes políticos também se posicionaram contra Zema. O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) questionou a aptidão do ex-governador para assumir a Presidência: "Criança não trabalha, criança estuda! O Brasil não é laboratório para esse tipo de projeto." Já o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) argumentou que o Brasil já superou séculos de escravidão e que "essa mentalidade insiste em aparecer".

O que diz a legislação brasileira sobre trabalho infantil?

No Brasil, o trabalho infantil é regulamentado pela Constituição Federal de 1988 e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). De acordo com o artigo 7º da Constituição, é vedado o trabalho para menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos. O ECA reforça que crianças devem estar prioritariamente na escola e protegidas de qualquer forma de exploração.

O Brasil é signatário de convenções internacionais, como a Convenção 138 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que estabelece a idade mínima para o trabalho, e a Convenção 182, que trata das piores formas de trabalho infantil. Ambas visam garantir a proteção integral de crianças e adolescentes.

Contexto histórico do trabalho infantil no Brasil

O trabalho infantil é uma questão histórica no Brasil, estando intimamente ligado às desigualdades sociais e econômicas. Dados do IBGE indicam que, mesmo com avanços nas últimas décadas, em 2024 ainda havia cerca de 1,8 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho no país. A maior parte dessas crianças está concentrada em atividades informais, frequentemente expostas a condições precárias e perigosas.

Comparação com outros países

A menção de Zema ao trabalho infantil nos Estados Unidos também gerou debates sobre as diferenças culturais e legais entre os países. Nos EUA, leis federais permitem que adolescentes realizem certos tipos de trabalho a partir dos 14 anos, com diversas restrições. No entanto, a realidade brasileira é marcada por desigualdades mais profundas, o que torna a questão mais sensível e complexa.

Impactos sociais e econômicos do trabalho infantil

Especialistas apontam que o trabalho infantil pode perpetuar o ciclo da pobreza. Crianças que trabalham frequentemente têm seu desempenho escolar prejudicado, o que limita suas oportunidades de ascensão social e econômica no futuro. Além disso, a exposição precoce ao trabalho pode trazer danos físicos e psicológicos, comprometendo o desenvolvimento pleno do indivíduo.

Repercussão nas redes sociais e na mídia

A fala de Zema rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais, dividindo opiniões. Enquanto simpatizantes do político defenderam suas declarações como uma valorização do trabalho e da responsabilidade desde cedo, críticos apontaram a insensibilidade de associar crianças ao trabalho em um país com histórico de exploração e desigualdade.

O papel da educação na proteção das crianças

A educação é amplamente reconhecida como a principal ferramenta para combater o trabalho infantil. Pesquisas mostram que crianças que permanecem na escola têm maiores chances de alcançar melhores condições de vida e evitar a perpetuação da pobreza intergeracional. Nesse sentido, políticas públicas que fortaleçam o acesso à educação são fundamentais.

A resposta de Zema

Após a repercussão negativa, Zema publicou um vídeo em sua conta no X, reafirmando sua posição. Ele questionou a proibição de trabalho para adolescentes no Brasil e defendeu que atividades simples não prejudicariam o desenvolvimento das crianças. A fala, no entanto, não conseguiu apaziguar as críticas, e o tema segue sendo amplamente debatido no cenário político.

A Visão do Especialista

O debate levantado pelas declarações de Romeu Zema evidencia a complexidade do tema do trabalho infantil no Brasil. Embora possa haver argumentos culturais e históricos que sustentem a ideia de que crianças podem realizar algumas atividades, as implicações legais e sociais desse tipo de prática são vastas e significativas. Especialistas destacam que qualquer flexibilização na legislação pode abrir precedentes perigosos para a exploração infantil, especialmente em um país com altos índices de desigualdade.

No contexto da corrida presidencial de 2026, as declarações de Zema também podem impactar sua viabilidade como candidato, ao polarizar ainda mais o debate público em um tema de alta sensibilidade. Para os eleitores, o episódio serve como um lembrete da importância de analisar criticamente as propostas e declarações dos candidatos, especialmente em um período de intensas disputas políticas.

Boulos aponta dedo em Zema em plena entrevista jornalística sobre trabalho infantil.
Fonte: www.poder360.com.br | Reprodução

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