O Brasil desperdiça cerca de 40 % da água tratada, o que equivale a 5,8 bilhões de metros cúbicos por ano. Esse volume seria suficiente para abastecer 31 milhões de pessoas por um ano inteiro.

Brasil: 40% da água tratada é desperdiçada, o suficiente para 31 milhões de pessoas.
Fonte: jc.uol.com.br | Reprodução

Os números vêm do relatório 2023 do Instituto Trata Brasil, baseado no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). O estudo reúne dados de todas as concessionárias e de órgãos reguladores.

As perdas se dividem em três frentes principais: vazamentos físicos, erros de medição e furtos ou ligações clandestinas. Cada categoria contribui de forma significativa para o déficit hídrico.

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O que dizem os especialistas?

Em termos visuais, o desperdício diário corresponde a mais de 6 mil piscinas olímpicas de água tratada. Essa comparação ajuda a dimensionar a gravidade do problema.

Se considerarmos que 31 milhões de brasileiros ainda não têm acesso regular ao saneamento, a água perdida poderia suprir 92 % dessa demanda. O potencial de cobertura é quase total.

Por que o desperdício aumenta?

O custo operacional das concessionárias sobe porque energia elétrica e produtos químicos são consumidos para tratar água que nunca chega ao consumidor. Essa ineficiência eleva a tarifa final.

Do ponto de vista ambiental, o excesso de captação para compensar perdas pressiona os mananciais e agrava o estresse hídrico. Em um cenário de mudanças climáticas, isso se torna crítico.

A Portaria nº 490/2021 estabelece meta de 25 % de perdas na distribuição até 2034, com limites de 216 L por ligação/dia. O cumprimento desses parâmetros é obrigatório para municípios.

Quais seriam os benefícios de reduzir as perdas?

Alcançar a meta de 25 % de perdas liberaria aproximadamente 1,9 bilhão de m³ de água por ano. Esse volume bastaria para abastecer 31 milhões de brasileiros.

Os principais obstáculos incluem redes antigas, falta de investimento e ligações irregulares. A modernização requer recursos financeiros e planejamento de longo prazo.

Entre as soluções mais eficazes estão a detecção precoce de vazamentos, medidores inteligentes e parcerias público‑privadas. Tecnologias de monitoramento remoto já mostram resultados positivos.

Exemplos de municípios que avançaram

  • São Paulo – redução de perdas de 38 % para 27 % em cinco anos.
  • Belo Horizonte – implantação de sensores de pressão que cortaram vazamentos em 15 %.
  • Curitiba – programa de regularização de ligações clandestinas que diminuiu perdas comerciais em 12 %.

Segundo a engenheira hidráulica Drª Mariana Alves, "a combinação de investimento em infraestrutura e políticas de controle é a única via para alcançar a universalização do saneamento." Ela ressalta a importância de metas claras e fiscalização.

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