BeFly, a holding de turismo que cresceu 36 marcas em dois anos, vê seu futuro ameaçado pelo colapso do Banco Master. O escândalo envolvendo o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro pode transformar o sucesso em risco de crédito para quem compra passagens ou contrata pacotes corporativos.
Fundada em 2021 por Marcelo Cohen, a BeFly surgiu ao comprar a Flytour, então endividada, e rapidamente ampliou seu portfólio. A estratégia de aquisições agressivas foi financiada por linhas de crédito concedidas pelo Master e por fundos ligados a Vorcaro.
Com faturamento projetado acima de R$ 10 bilhões, a holding controla hotéis de luxo, agências de intercâmbio e operadoras de turismo corporativo. Essa diversificação, porém, depende de capital externo que agora está sob investigação.

Qual é a extensão do escândalo do Banco Master?
A falência do Master revelou fraudes bilionárias, emissão de títulos sem lastro e lavagem de dinheiro. A Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro e seu cunhado, colocando em xeque todos os fundos que apoiaram a expansão da BeFly.

O Master não detinha participação societária na BeFly, mas atuava como parceiro financeiro. Linhas de crédito foram usadas para fechar 30 negócios entre 2020 e 2022, inclusive a compra da Flytour.
Para o consumidor, a exposição a um financiamento suspeito pode significar aumento de custos. Se os credores exigirem garantias adicionais, a holding pode repassar esses encargos aos clientes finais.
Como isso afeta o bolso do viajante?
Empresas que utilizam a BeFly para viagens corporativas podem enfrentar reajustes nas tarifas. A necessidade de reforçar o capital de giro costuma ser transferida em forma de taxas mais altas.
- 36 marcas integradas ao grupo;
- Faturamento estimado em R$ 10 bi;
- Dívida consolidada de aproximadamente R$ 2,5 bi;
- Linhas de crédito Master: R$ 1,2 bi;
- 2.300 funcionários e 8.000 clientes corporativos.
A disputa judicial sobre a Flytour está na Câmara de Arbitragem de São Paulo desde dezembro de 2025. Enquanto a arbitragem não se encerra, a BeFly continua honrando seus compromissos, mas sob vigilância de credores.
Especialistas apontam que a holding pode buscar a venda de ativos não essenciais para reduzir o endividamento. Essa medida poderia gerar oportunidades de compra de pacotes de viagem a preços mais competitivos.
O que acontece agora?
O próximo passo é a conclusão da arbitragem e a definição de garantias para os credores do Master. Caso a BeFly consiga isolar a dívida do banco, a operação pode seguir sem grandes impactos ao consumidor.
Se a arbitragem decidir pela reversão da compra da Flytour, a holding poderá perder uma das suas joias da coroa. Isso reduziria o volume de negócios e poderia provocar cortes de custos que repercutiriam em tarifas mais baixas.
Para o investidor de varejo, o cenário abre duas frentes: monitorar a evolução da disputa e avaliar oportunidades em concorrentes que podem ganhar market share. Empresas menores de turismo podem se beneficiar da saída de players vulneráveis.

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