O Rio Grande do Sul decretou estado de emergência em saúde pública no final de abril de 2026, em resposta ao aumento significativo de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Até a 16ª semana epidemiológica, o estado já havia registrado 2.955 hospitalizações e 185 mortes relacionadas à doença, superando os números do mesmo período de 2025. O cenário atual acendeu um alerta, especialmente para a saúde infantil, que tem sido a mais afetada.

Entenda o que é a SRAG e por que preocupa

A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) é uma condição caracterizada por sintomas respiratórios graves, como dificuldade para respirar, febre alta e saturação de oxigênio abaixo de 95%. Ela pode ser causada por diversos vírus respiratórios, como o rinovírus, influenza, vírus sincicial respiratório (VSR) e o coronavírus (SARS-CoV-2).

Embora a maioria dos casos de infecção respiratória seja leve, a SRAG frequentemente exige internação hospitalar, especialmente em populações vulneráveis como crianças, idosos e pessoas com comorbidades. No caso do RS, o aumento de casos é impulsionado pelo rinovírus, responsável por 636 hospitalizações e 17 mortes até o momento.

Contexto epidemiológico: o impacto do rinovírus e outros agentes

O rinovírus, que não possui vacina, tem sido um dos principais responsáveis pelo aumento de internações no estado. Dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES) mostram que, até a 16ª semana, o vírus causou 488 hospitalizações em 2026, um aumento significativo em relação às 396 no mesmo período de 2025. Além disso, a influenza e o vírus sincicial respiratório (VSR) também estão entre os principais agentes causadores de SRAG.

De acordo com o boletim da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o RS apresenta um "sinal de crescimento" dos casos de SRAG no longo prazo, embora, até o momento, ainda esteja em um nível de segurança epidemiológica em comparação a outros estados como São Paulo e Rio de Janeiro.

O agravamento no inverno: desafios e projeções

A chegada do inverno acentua a incidência de doenças respiratórias, especialmente em regiões mais frias, como o Sul do Brasil. O Programa Inverno Gaúcho com Saúde 2026 foi lançado pelo governo estadual com o objetivo de preparar o sistema de saúde para enfrentar o aumento esperado das internações por SRAG durante os meses de maio, junho e julho.

O programa prevê a abertura de 1.881 leitos hospitalares adicionais, sendo 604 financiados pelo estado e 1.277 pelo Ministério da Saúde. Desses, 1.250 serão de suporte ventilatório e 631 para unidades de terapia intensiva (UTI). Trata-se de um aumento de 70 leitos em relação ao programa do ano passado.

Os números alarmantes em crianças

O impacto da SRAG tem sido particularmente grave em crianças pequenas. Entre as semanas epidemiológicas 7 e 10, o estado registrou aumento de 528,6% nas hospitalizações de crianças com menos de 12 anos. Além disso, o risco de hospitalização pelo VSR é especialmente alto em bebês menores de um ano, prematuros e aqueles com condições de saúde preexistentes.

Para mitigar esses efeitos, o RS está ampliando o uso da telemedicina pediátrica. O serviço, iniciado em 2022, conecta médicos intensivistas pediátricos a hospitais sem UTI pediátrica, oferecendo suporte remoto para o tratamento de crianças em estado crítico.

Comparativo de dados epidemiológicos

Ano Internações por SRAG Mortes por SRAG Hospitalizações por Rinovírus
2023 4.200 210 450
2024 4.050 195 420
2025 2.815 180 396
2026 (até a 16ª semana) 2.917 185 488

Vacinação: a principal linha de defesa

Especialistas destacam que a vacinação continua sendo uma das formas mais eficazes de prevenir doenças respiratórias, especialmente no caso da influenza e da Covid-19. O governo estadual tem reforçado as campanhas de imunização, buscando ampliar a cobertura vacinal, especialmente entre os grupos de risco.

No entanto, a ausência de uma vacina para o rinovírus representa um desafio adicional, exigindo maior atenção às medidas preventivas, como higienização das mãos, uso de máscaras em ambientes fechados e evitar aglomerações.

Medidas emergenciais e assistência à saúde

Além da ampliação de leitos, outras medidas estão sendo implementadas para reduzir a pressão sobre o sistema de saúde. Entre elas, destacam-se:

  • Expansão do serviço de telemedicina pediátrica.
  • Monitoramento constante por meio do dashboard de internações por SRAG da SES.
  • Campanhas de conscientização para reforçar a vacinação e as medidas de prevenção.
  • Suporte técnico e logístico para hospitais que enfrentam maior demanda.

Essas ações são fundamentais para evitar o colapso do sistema de saúde, especialmente durante o período mais crítico do inverno.

A Visão do Especialista

O aumento de casos de SRAG no Rio Grande do Sul reflete um cenário preocupante, mas não inédito. A sazonalidade das doenças respiratórias exige planejamento estratégico e ações coordenadas entre os diferentes níveis de governo. A ampliação de leitos hospitalares e o uso de tecnologias como a telemedicina são passos importantes, mas é crucial reforçar campanhas de vacinação e conscientização da população.

Além disso, é necessário um acompanhamento contínuo dos agentes etiológicos responsáveis pelas internações, como o rinovírus e o VSR, para desenvolver estratégias específicas de enfrentamento. Em um cenário de mudanças climáticas e aumento na circulação de vírus respiratórios, o fortalecimento do sistema de saúde pública é essencial para garantir a proteção da população, especialmente dos grupos mais vulneráveis.

Compartilhe essa reportagem com seus amigos e familiares para que mais pessoas possam se conscientizar sobre os riscos da SRAG e as medidas de prevenção que podem salvar vidas.