Em 2026, os Estados Unidos registraram 2.295 casos de sarampo, superando o total de 2025 em apenas seis meses. Este recorde evidencia a relação direta entre a desconfiança nas vacinas, a queda da imunização e o ressurgimento de uma doença que já havia sido declarada erradicada.

Mulheres e crianças recebem vacinas contra o sarampo em um centro de saúde nos EUA.
Fonte: oglobo.globo.com | Reprodução

O cenário atual

Mais de 44 dos 50 estados já relataram casos, configurando a maior alta em 35 anos. A propagação rápida nas regiões da Carolina do Sul e Utah evidencia falhas no controle epidemiológico.

Causas da queda na cobertura vacinal

Mulheres e crianças recebem vacinas contra o sarampo em um centro de saúde nos EUA.
Fonte: oglobo.globo.com | Reprodução

A desinformação alimentada por "fake news" e figuras públicas antivacina corroeu a confiança da população. Estudos apontam que, após a pandemia de Covid‑19, a taxa de vacinação infantil caiu de 95 % (2020) para menos de 93 % (2026).

Impacto histórico

O último surto de magnitude similar ocorreu em 1991, com mais de 9.600 casos. Naquela época, a intensificação da vacinação reduziu drasticamente os números, levando à declaração de erradicação em 2000.

Repercussões no mercado de saúde

Empresas farmacêuticas viram aumento na demanda por vacinas MMR (sarampo, caxumba e rubéola) e em investimentos de biotecnologia. Ao mesmo tempo, seguradoras enfrentam custos crescentes com hospitalizações e complicações.

Resposta institucional

O CDC reforçou campanhas de vacinação e retomou recomendações de duas doses da vacina MMR. Contudo, a nomeação de críticos de vacinas em comitês consultivos tem gerado controvérsia.

Dados comparativos

AnoCasos de sarampoCobertura vacinal (%)
20201 02495,2
20252 28993,5
20262 29592,8

Análise de especialistas

William Moss, da Johns Hopkins, afirma que "não conseguimos interromper a transmissão do vírus". A falta de imunidade coletiva permite que o vírus circule livremente.

Consequências para a população

95 % dos casos em 2026 foram em indivíduos não vacinados ou com status vacinal desconhecido. Entre as vítimas, 30 % são adultos, demonstrando que a vulnerabilidade não se restringe às crianças.

Desinformação e redes sociais

Um estudo da Kaiser Family Foundation (2022) mostrou que 44 % dos eleitores republicanos defendem o direito de não vacinar. Esse pensamento foi amplificado por figuras como Robert Kennedy Jr., cuja organização gera mais da metade do conteúdo antivacina no Facebook.

Políticas públicas e retrocessos

Em 2026, o governo reduziu de 17 para 11 as vacinas recomendadas para crianças, eliminando imunizações contra gripe, hepatites e meningococo. Essa decisão enfraquece ainda mais a proteção coletiva.

O que a ciência indica

Dois doses da vacina MMR conferem 97 % de eficácia, suficiente para manter a imunidade de rebanho acima de 95 %. Quando a cobertura cai abaixo desse limiar, o número de casos aumenta exponencialmente, como demonstrado pelos dados recentes.

A Visão do Especialista

Para reverter a tendência, é imprescindível restaurar a confiança na ciência através de educação baseada em evidências e políticas transparentes. Autoridades de saúde devem priorizar campanhas de informação, reforçar a obrigatoriedade de vacinação escolar e combater ativamente a desinformação nas plataformas digitais. Somente assim os EUA poderão recuperar a cobertura vacinal necessária para impedir novos surtos.

Mulheres e crianças recebem vacinas contra o sarampo em um centro de saúde nos EUA.
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