Donald Trump aplicou, em tempo real, as estratégias descritas em seu best‑seller "The Art of the Deal" nas tratativas com o Irã. Na manhã de 7 de abril de 2026, o presidente dos EUA lançou um ultimato sobre a abertura do Estreito de Ormuz e, poucas horas depois, recuou após nova rodada de negociação.
O ultimato foi anunciado às 19h34 (horário de Brasília), com a ameaça de que "toda uma civilização morreria naquela noite" caso Teerã não obedecesse. A declaração gerou alerta imediato de analistas de segurança e de especialistas em direito internacional.
Segundo o manual de Trump, a técnica de "exigência máxima" consiste em iniciar a negociação com a demanda mais alta possível. Essa postura eleva o custo da recusa e cria margem para concessões posteriores.
Quais são as táticas descritas no livro de Trump?
O autor recomenda iniciar a negociação com uma proposta extrema, seguida de "blefe" quando as partes parecem inflexíveis. No caso da fazenda leiloada nos anos 80, Trump passou de abordagem conciliadora a ameaças judiciais agressivas.
Outra prática recorrente é o "jogo de pôquer de apostas altas", onde o negociador finge ter cartas fortes para pressionar o adversário. A postura "um pouco selvagem" busca desestabilizar o oponente e forçar uma resposta rápida.
Ao aplicar essas regras ao Irã, Trump vinculou a reabertura do estreito a um prazo curto e a uma ameaça de destruição em massa. O custo da recusa foi, assim, elevado ao nível de catástrofe.
Como a negociação evoluiu após o ultimato?
- 19h34 – Trump anuncia ameaça de fechar o Estreito de Ormuz.
- 23h30 – Anúncio de suspensão da ameaça após nova rodada de diálogos.
- Mediação conduzida pelo Paquistão, com proposta de "acordo de 10 pontos".
- 10 de abril – Irã confirma ruptura de cessar‑fogo e bombardeios nas ilhas Lavan e Siri.
Especialistas em direito internacional alertam que a ameaça de ataque massivo poderia ser configurada como crime de guerra. O Departamento de Estado dos EUA ainda não divulgou justificativas legais para a retórica.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que o cessar‑fogo foi violado dentro do território iraniano. Segundo ele, as ilhas Lavan e Siri foram alvejadas por mísseis norte‑americanos.
Qual o desdobramento no Oriente Médio?
Israel intensificou a ofensiva no sul do Líbano, alegando que o Líbano não faz parte do acordo de cessar‑fogo entre EUA e Irã. O primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu afirmou que as operações contra o Hezbollah continuarão independentemente das negociações.
O fechamento temporário do Estreito de Ormuz teria repercussões imediatas nos preços do petróleo e nas cadeias de suprimento globais. Analistas da Bloomberg apontam risco de alta de 5 % no Brent caso a rota permaneça bloqueada.
Atualmente, as partes aguardam nova rodada de mediação paquistanesa, enquanto Washington avalia possíveis sanções adicionais ao Irã. O Departamento de Defesa dos EUA mantém forças navais posicionadas no Golfo Pérsico.
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