O Irã divulgou duas rotas alternativas para embarcações que cruzam o Estreito de Ormuz, alegando risco de minas marítimas na via principal. O comunicado foi emitido pela Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) por meio da agência estatal ISNA.

Rotas alternativas no Estreito de Ormuz: mapa ilustra opções iranianas em meio a tensões.
Fonte: noticias.r7.com | Reprodução

O estreito, localizado entre o Irã e Omã, conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Árabe. Aproximadamente 20 % da produção mundial de petróleo transita por esse corredor estratégico.

Segundo a Guarda Revolucionária, todas as embarcações devem coordenar a passagem com a força naval iraniana e usar as rotas designadas até novo aviso. A medida visa cumprir princípios de segurança marítima e evitar colisões com possíveis minas.

Quais são as rotas alternativas definidas pelo Irã?

Para entrada a partir do Mar de Omã, os navios devem navegar entre a costa iraniana e a ilha de Larak. Essa trajetória substitui o percurso tradicional mais próximo da margem omanense.

Na saída do Golfo, a recomendação é contornar o sul da ilha de Larak. O trajeto evita a zona considerada de maior risco e mantém distância das áreas onde se suspeita a presença de minas.

Um mapa publicado pela IRIB mostra um "círculo de perigo" sobre o Esquema de Separação de Tráfego, válido de 28 fev. a 9 abr. Não está claro se as minas foram desativadas após o cessar‑fogo anunciado em 7 abr.

Como a comunidade internacional reagiu?

Estados Unidos e União Europeia emitiram alertas e críticas à proposta de cobrança de pedágio sobre a travessia. A UE defendeu a liberdade de navegação sem pagamentos, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu parceria para dividir eventuais dividendos.

O Irã pretende cobrar US$ 1 (cerca de R$ 5) por barril transportado, com pagamento em criptomoeda. O porte‑voz da União dos Exportadores de Petróleo, Hamid Hosseini, afirmou que a taxa visa monitorar o fluxo durante o cessar‑fogo de 15 dias.

Autoridades iranianas ressaltaram que a reabertura total do estreito depende da cessação de ataques americanos e israelenses. O vice‑ministro das Relações Exteriores, Saeed Khatibzadeh, declarou que a navegação seguirá normas internacionais somente após o fim das hostilidades.

Qual o cronograma e os próximos passos?

Os eventos recentes podem ser resumidos na sequência abaixo:

  • 28 fev. 2026 – Implantação de minas marítimas no corredor principal.
  • 7 abr. 2026 – Anúncio de cessar‑fogo de 15 dias entre Irã e EUA.
  • 9 abr. 2026 – Divulgação das rotas alternativas pela Guarda Revolucionária.
  • 11 abr. 2026 – Declaração oficial sobre possível pedágio e condições de reabertura.

Do ponto de vista jurídico, a medida se apoia na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS), que permite restrições temporárias por motivos de segurança. Contudo, a comunidade global acompanha a compatibilidade da ação com a liberdade de navegação.

Para as companhias de navegação, a exigência de coordenação prévia pode gerar atrasos e custos adicionais. Operadores precisam submeter planos de passagem à IRGC, adaptar cronogramas e considerar a taxa proposta.

O que acontece agora?

Até novo comunicado, as embarcações devem seguir as rotas alternativas e manter contato constante com a Marinha da Guarda Revolucionária. As negociações sobre o pedágio e a retirada das minas permanecem em aberto, enquanto o monitoramento da situação continua intenso.

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