A Corte de Apelação de Roma, na Itália, decidiu nesta quinta-feira (16) a favor de um segundo pedido de extradição da ex-deputada federal brasileira Carla Zambelli. A solicitação foi feita pelo governo brasileiro após a condenação da ex-parlamentar pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Presa desde julho de 2025 no presídio de Rebibbia, em Roma, Zambelli enfrenta dois processos de extradição, ambos já aprovados no âmbito judicial italiano, mas que ainda aguardam decisão final do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio.

Político e jornalistas em reunião, analisando documentos judiciais.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br | Reprodução

Os processos de Carla Zambelli: Condenações e pedidos de extradição

A primeira condenação de Zambelli pelo STF está relacionada à invasão dos sistemas digitais do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocorrida em 2023. A Corte de Roma já havia aprovado o pedido de extradição referente a este caso anteriormente. Agora, a Corte também acolheu o segundo pedido, relativo à condenação por porte ilegal de arma de fogo, que resultou em uma pena de 5 anos e 3 meses de prisão.

Este segundo caso ganhou repercussão após um episódio ocorrido em outubro de 2022, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. Na ocasião, Zambelli sacou uma arma de fogo em plena luz do dia em uma rua de São Paulo, enquanto perseguia um homem que a havia criticado. O incidente foi amplamente filmado e divulgado, levando a debates sobre abuso de poder e segurança pública.

Contexto da fuga e prisão na Itália

Portadora de passaporte italiano, Zambelli deixou o Brasil em junho de 2025, atravessando a fronteira terrestre com a Argentina e, de lá, seguiu para a Itália. A viagem ocorreu antes de a ordem de prisão ser emitida pelo STF. Em julho do mesmo ano, ela foi presa em Roma, onde permanece encarcerada no presídio de Rebibbia. Desde então, a ex-deputada teve negados vários pedidos para aguardar os processos de extradição em liberdade.

A defesa de Zambelli alega que as acusações possuem motivação política e que ela é vítima de perseguição. Em resposta à decisão mais recente, os advogados da ex-deputada afirmaram que pretendem apelar à Corte de Cassação, principal instância judicial da Itália, assim como foi feito no caso da primeira condenação.

A decisão da justiça italiana e seus desdobramentos

A extradição de um nacional para outro país envolve etapas complexas e decisões que combinam aspectos legais e políticos. Apesar das decisões favoráveis da Corte de Apelação de Roma, a palavra final sobre a extradição de Zambelli caberá ao ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio. Ele poderá decidir se, de fato, autorizará o retorno da ex-deputada ao Brasil para cumprimento de suas penas.

Segundo especialistas em direito internacional, a decisão política do ministro pode levar em consideração fatores como a relação diplomática entre Brasil e Itália, bem como o princípio da reciprocidade entre as nações. Além disso, a alegação de perseguição política, apresentada pela defesa de Zambelli, pode influenciar a análise do caso.

O impacto político e jurídico

A situação de Carla Zambelli tem gerado debates tanto no Brasil quanto na Itália. No contexto brasileiro, o caso reacendeu discussões sobre a atuação de figuras públicas e a responsabilização de políticos em casos de abuso de poder. Já na Itália, o processo chama a atenção para o papel do país em casos de extradição envolvendo cidadãos com dupla nacionalidade.

No Brasil, a possível extradição de Zambelli é vista como um marco na cooperação internacional em casos de crimes cometidos por autoridades públicas. Desde 2019, o Brasil intensificou pedidos de extradição de cidadãos condenados que fugiram para o exterior, especialmente em casos de corrupção e crimes contra a administração pública.

Entenda o processo de extradição na Itália

A extradição na Itália segue um rito que combina decisões judiciais e políticas. O processo começa com a análise do pedido de extradição pelos tribunais de apelação, que avaliam se as condições legais para o envio do indivíduo ao país solicitante foram cumpridas. Entre os critérios analisados estão a gravidade do crime, a existência de tratados de extradição e a garantia de julgamento justo no país requerente.

Após a aprovação judicial, cabe ao ministro da Justiça italiano deliberar sobre a questão, ponderando fatores políticos, humanitários e diplomáticos. No caso de Carla Zambelli, a Itália possui um tratado de extradição com o Brasil, o que pode facilitar o processo, mas não elimina a necessidade de análise detalhada.

A prisão em Rebibbia: Condições e direitos

Carla Zambelli está detida no presídio de Rebibbia, em Roma, uma das maiores unidades penitenciárias da Itália. O local abriga tanto condenados quanto presos provisórios, e é conhecido por adotar programas de reabilitação e reintegração social. A ex-deputada tem direito a visitas e acompanhamento jurídico, além de poder recorrer das decisões judiciais que determinaram sua extradição.

A Visão do Especialista

De acordo com especialistas em direito internacional, o caso de Carla Zambelli representa um teste significativo para a cooperação jurídica entre Brasil e Itália. Embora a decisão final recaia sobre o ministro da Justiça italiano, a aprovação judicial da extradição em dois processos distintos reforça a gravidade das acusações contra a ex-deputada.

O desfecho desse caso pode estabelecer precedentes importantes para futuras solicitações de extradição entre os dois países. Além disso, o caso lança luz sobre os desafios de lidar com autoridades públicas que, após serem condenadas, tentam evadir a justiça em seus países de origem.

Dada a complexidade e a visibilidade do caso, especialistas recomendam que ambas as nações mantenham um diálogo diplomático constante para garantir o respeito às leis e tratados internacionais. Independentemente da decisão final, o caso de Carla Zambelli continuará a ser acompanhado de perto, tanto no Brasil quanto na Itália.

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