Datafolha divulgou, neste sábado (16), a primeira pesquisa que tenta mensurar se o escândalo "BolsoMaster" afetou a popularidade de Flávio Bolsonaro. O levantamento, com 2.050 entrevistas presenciais, traz intenção de voto, taxa de rejeição e avaliação do governo Lula, servindo como termômetro nacional após a divulgação dos áudios.

Pesquisas de opinião sobre Flávio Bolsonaro e a empresa BolsoMaster.
Fonte: www.brasil247.com | Reprodução

Contexto do escândalo BolsoMaster

O caso "BolsoMaster" surgiu quando áudios publicados pelo Intercept Brasil revelaram conversas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Os trechos sugerem negociação de recursos para financiar o filme "Dark Horse", projeto cultural ligado ao então presidente Jair Bolsonaro.

Cronologia dos fatos

  • Março/2025 – Publicação dos áudios pelo Intercept Brasil.
  • Abril/2025 – Blog do Esmael traz reportagem sobre a suposta participação de Eduardo Bolsonaro no orçamento da produção.
  • Maio/2025 – STF abre investigação sobre supostas emendas parlamentares vinculadas à produtora do filme.
  • Junho/2025 – Flávio Bolsonaro nega envolvimento direto e afirma que não há provas de irregularidade.
  • Janeiro/2026 – Datafolha agenda a divulgação da pesquisa de intenção de voto.

Metodologia da pesquisa Datafolha

CritérioDetalhe
Período de campo08/05/2026 a 14/05/2026
Entrevistados2.050 adultos (18+) em todo o país
Margem de erro± 2 pontos percentuais (95% de confiança)
Modo de coletaEntrevista presencial em domicílio

Datafolha adotou amostragem estratificada por região, garantindo representatividade dos eleitores indecisos. O instituto ressalta que o levantamento reflete o momento da entrevista, não o resultado final da eleição.

Resultados da pesquisa

IndicadorFlávio BolsonaroLula
Intenção de voto (1º turno)31%45%
Intenção de voto (2º turno)38%44%
Rejeição54%53%
Avaliação do governo Lula-+12% (positivo)

Com 31% de intenção de voto no primeiro turno, Flávio registra queda de 5 pontos em relação à pesquisa de abril. A taxa de rejeição permanece alta, indicando desgaste entre eleitores moderados.

Comparação com pesquisas anteriores

PesquisaDataFlávio Bolsonaro (2º turno)Lula (2º turno)
Datafolha – Abril/202515/04/202543%45%
Quaest – 13/05/202613/05/202641%42%
Datafolha – 16/05/202616/05/202638%44%

A tendência descendente de Flávio Bolsonaro se consolida, enquanto Lula mantém estabilidade ou leve alta. O recuo de três pontos entre a Quaest e a nova pesquisa indica que o escândalo pode estar corroendo a base de apoio.

Impacto no cenário político do PL

O Partido Liberal (PL) vê no desempenho de Flávio um termômetro da viabilidade da sucessão bolsonarista em 2026. A queda nas intenções de voto pressiona a liderança do partido a reconsiderar alianças com Sergio Moro (PL) e Deltan Dallagnol (Novo).

Repercussão nos estados-chave

  • Paraná – O caso "BolsoMaster" gerou crise de coerência no discurso anticorrupção da direita local.
  • Minas Gerais – Romeu Zema ganha espaço ao se posicionar como alternativa ao bolsonarismo.
  • Goiás – Ronaldo Caiado mantém alta rejeição, mas se beneficia do enfraquecimento de Flávio.

Essas dinâmicas regionais podem redefinir a composição de coalizões para as eleições de 2026. O PL pode perder apoio em estados onde a rejeição ao escândalo é mais intensa.

Opiniões de especialistas

Analistas de ciência política apontam que a "rejeição alta" funciona como barreira de entrada para candidatos com histórico de controvérsias. Segundo a professora Maria Clara Duarte (USP), "o eleitorado moderado tende a abandonar candidatos que perdem credibilidade institucional".

Análise de risco eleitoral

Se a tendência de queda persistir, Flávio Bolsonaro poderá ficar atrás de candidatos como Sergio Moro ou Romeu Zema no segundo turno. O cenário de "primeiro e segundo turno" mostra que, mesmo com base fiel, a ampliação de apoio é limitada.

Implicações jurídicas

O STF continua a apurar a origem das emendas parlamentares vinculadas ao Banco Master, o que pode gerar processos de improbidade contra Flávio Bolsonaro. Uma condenação judicial poderia inviabilizar a candidatura, conforme precedentes da Lei da Ficha Limpa.

A Visão do Especialista

Para o consultor político André Silva, a pesquisa indica que o "BolsoMaster" já se transformou em dano eleitoral mensurável. Ele recomenda que o PL invista em renovação de lideranças e busque distanciamento público do escândalo, enquanto reforça a necessidade de estratégias de reconquista de eleitores indecisos antes da campanha oficial.

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