Reginaldo Faria, aos 85 anos, protagoniza "Perto do Sol é mais claro" e converte o envelhecimento em um ato de resistência que reverbera no cinema brasileiro contemporâneo.

Ator Reginaldo Faria, com expressão forte, enfrenta o envelhecimento com dignidade.
Fonte: oglobo.globo.com | Reprodução

Contexto histórico do envelhecimento na sétima arte

Desde a década de 1970, o cinema tem gradualmente inserido personagens seniores como protagonistas, mas ainda enfrenta o estigma da invisibilidade. Obras como "O Quinto dos Infernos" (1979) e "A Hora da Estrela" (1985) abriram caminho, porém raramente ofereceram ao público a vivência autêntica de um idoso ativo.

Reginaldo Faria: trajetória de um ícone

Ator Reginaldo Faria, com expressão forte, enfrenta o envelhecimento com dignidade.
Fonte: oglobo.globo.com | Reprodução

Com mais de seis décadas de carreira, Reginaldo é referência tanto na TV quanto no cinema, tendo estreado em "Assalto ao Trem Pagador" (1967). Seu nome tornou‑se sinônimo de versatilidade, passando de papéis heroicos a nuances dramáticas que marcaram gerações.

"Perto do Sol é mais claro": gênese familiar

Dirigido por Regis Faria, filho de Reginaldo, o filme nasce como um projeto familiar que reúne Marcelo e Candé Faria nos papéis de filhos e netos. Essa dinâmica íntima garante autenticidade documental, reforçada por imagens em preto‑e‑branco que remetem à estética dos filmes da Nouvelle Vague.

O personagem Rêgi: um chefe de obra octagenário

Rêgi, viúvo há sete meses, divide seu tempo entre a obra que lidera e a solidão da casa vazia, recusando a acomodação típica da velhice. Ele escreve "o projeto dos projetos que não foram completados", simbolizando a resistência contra o esquecimento.

Resistência como tema central

A narrativa transforma cada gesto cotidiano – ler, tocar violão, brigar com o celular – em protesto contra a marginalização da terceira idade. Ao recusar o asilo, Rêgi encarna a luta contra a institucionalização do envelhecimento.

Estética documental e fotografia em PB

A escolha do preto‑e‑branco cria um contraste visual que destaca a vulnerabilidade e a força do protagonista. Close‑ups intensos colocam o espectador frente a frente com a reflexão sobre solidão e vitalidade.

Repercussão crítica e premiações

O filme foi aclamado no Festival de Brasília (2026) e recebeu elogios de críticos como Luiz Carlos Mello, que o descreveu como "um manifesto visual contra a invisibilidade do idoso".

Impacto no mercado cinematográfico

Com bilheteria de R$ 3,2 mi nas duas primeiras semanas e forte performance nas plataformas de streaming, o longa demonstra viabilidade comercial de narrativas sobre a velhice.

Opiniões de especialistas

Gerontólogos apontam que a representação positiva de idosos pode melhorar a saúde mental da população sênior, conforme estudo da Fiocruz (2025). Já críticos de cinema ressaltam a importância de "personagens que vivem, não apenas sobrevivem".

Dados técnicos e de desempenho

ItemValor
Data de estreia15/05/2026
DiretorRegis Faria
Elenco principalReginaldo Faria, Marcelo Faria, Candé Faria
Duração112 minutos
Bilheteria (primeiras 2 semanas)R$ 3,2 mi
Rating IMDb8,1

Chronologia da produção

  • 2024 – Concepção do roteiro por Regis Faria.
  • 2025 (primeiro semestre) – Início das gravações em São Paulo.
  • 2025 (outubro) – Pós‑produção e edição em preto‑e‑branco.
  • 2026 (maio) – Lançamento nacional e ingresso nas plataformas digitais.

Relevância cultural e combate ao ageísmo

Ao colocar um idoso no centro da narrativa, o filme confronta o ageísmo estrutural presente na mídia brasileira. Ele inspira políticas de inclusão e estimula o debate sobre a qualidade de vida na terceira idade.

Conclusão analítica

"Perto do Sol é mais claro" estabelece um novo paradigma para histórias de resistência, provando que a arte pode ser ferramenta de transformação social. A obra abre portas para mais produções que celebrem a vitalidade dos seniores.

A Visão do Especialista

Para o crítico de cinema Ana Paula Ribeiro, o filme representa "um ponto de inflexão na forma como vemos o envelhecimento: de passivo a protagonista ativo". Ela recomenda que produtores invistam em narrativas que desafiem estereótipos, pois o público está pronto para receber histórias que valorizem a experiência e a força dos mais velhos.

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