Tiago Cheregatte Neves, ex-namorado de Elize Matsunaga, morreu atropelado na Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, em São Vicente, SP, no dia 5 de maio. Ele foi atingido por diversos veículos, incluindo uma viatura da Polícia Militar, enquanto atravessava a pista às pressas. A morte foi constatada ainda no local. Tiago tinha 28 anos e sua trajetória foi marcada por um passado turbulento que ganhou notoriedade devido ao relacionamento com Elize dentro da Penitenciária II de Tremembé.

Quem foi Tiago Cheregatte Neves?
Tiago entrou para os registros criminais em 23 de março de 2020, aos 21 anos, após tentar matar seu avô, Adão Rui Valensuela Pinto, com golpes de martelo. O crime, ocorrido em Santa Bárbara d'Oeste, interior de São Paulo, foi motivado por uma discussão doméstica. O ataque resultou em afundamento de crânio na vítima, que sobreviveu após ser socorrida. Tiago fugiu do local, mas foi preso em flagrante e condenado a cinco anos e 11 meses de prisão.
Transição de gênero no sistema prisional

Ao ser inserido no sistema prisional em 2020, Tiago constava como mulher nos registros. Durante o cumprimento da pena na Penitenciária II de Tremembé, iniciou um processo de transição de gênero. Ele passou por tratamento hormonal e acompanhamento fonoaudiológico, o que levou a mudanças físicas perceptíveis. Mesmo após a transição, Tiago permaneceu na unidade feminina devido ao risco à sua integridade física em presídios masculinos.
Relacionamento com Elize Matsunaga
Foi durante o período em Tremembé que Tiago se aproximou de Elize Matsunaga, condenada a 16 anos de prisão pelo assassinato e esquartejamento do marido, Marcos Matsunaga, em 2012. O relacionamento começou no final de 2020, quando Tiago tinha 22 anos. Apesar de inicialmente negarem o vínculo, a relação tornou-se pública em 2021. Com a progressão de regime e saída do sistema prisional, o casal encerrou o relacionamento.
Detalhes do atropelamento
No dia 5 de maio de 2026, Tiago atravessava a Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, em São Vicente, quando foi atropelado por múltiplos veículos. Segundo testemunhas, ele tentou cruzar a pista de forma apressada, sendo atingido violentamente, inclusive por uma viatura da Polícia Militar. A perícia foi acionada e constatou o óbito no local. O corpo de Tiago permaneceu sem identificação por uma semana, sendo reconhecido por familiares dez dias após o incidente.
Repercussão do caso
A morte de Tiago gerou comoção nas redes sociais, especialmente pela conexão com Elize Matsunaga e sua trajetória no sistema prisional. O caso também levantou debates sobre a vulnerabilidade de pessoas trans, tanto dentro quanto fora do ambiente carcerário. Especialistas apontam que a marginalização e a falta de suporte social podem contribuir para situações de risco.
Contexto histórico: Tremembé e os crimes de repercussão
A Penitenciária II de Tremembé é conhecida por abrigar detentos envolvidos em crimes de grande repercussão nacional. Casos como o de Suzane von Richthofen e Gil Rugai passaram pela unidade. Esse histórico faz com que histórias como a de Tiago e Elize ganhem destaque na mídia, muitas vezes levantando discussões sobre a convivência entre detentos e suas histórias pessoais.
Impactos no debate sobre pessoas trans no sistema prisional
O caso de Tiago evidencia os desafios enfrentados por pessoas trans em prisões brasileiras. A falta de infraestrutura adequada e políticas inclusivas muitas vezes colocam essas pessoas em situações de vulnerabilidade. Segundo dados de organizações que monitoram direitos humanos, a população LGBTQIA+ enfrenta discriminação e risco elevado de violência no ambiente carcerário.
A trajetória de Elize após o regime fechado
Elize Matsunaga, que esteve envolvida romanticamente com Tiago, deixou a penitenciária em regime aberto após cumprir parte de sua condenação. Desde então, tem buscado reconstruir sua vida, embora continue sendo figura de interesse público devido ao crime cometido em 2012 e a repercussão midiática que o cercou.
Dados comparativos: Transição de gênero no sistema prisional
| Aspecto | Dados |
|---|---|
| População trans no sistema prisional | Estimativa de 700 pessoas (dados de 2025) |
| Unidades com infraestrutura adequada | Apenas 10% dos presídios possuem políticas específicas |
| Risco de violência | 4 vezes maior para pessoas trans em presídios masculinos |
A visão do especialista
O caso de Tiago Cheregatte Neves é um reflexo das complexidades do sistema prisional brasileiro e dos desafios enfrentados por pessoas trans. A combinação de vulnerabilidade social, histórico criminal e exclusão é capaz de agravar situações que culminam em tragédias como esta. Especialistas defendem que políticas públicas inclusivas e ações de reintegração social são fundamentais para evitar que histórias como a de Tiago se repitam.

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