A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, no dia 1º de junho de 2026, a Operação Wi-Fi, que investiga suposto uso irregular de verba pública para financiar a produção do filme "Dark Horse". O longa aborda a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e está sob suspeita de ter recebido recursos provenientes de um contrato de R$ 108 milhões entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido pela empresária Karina Ferreira da Gama.

Os alvos da operação e a base das investigações
Com autorização da Vara de Garantias do Tribunal de Justiça de São Paulo, a operação cumpriu mandados de busca e apreensão em empresas ligadas a Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora responsável pelo filme, bem como na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia. Também foram investigados os endereços oficiais da ONG e da produtora, que, embora registradas na Avenida Paulista, operavam fisicamente em outro local sem atualização nos órgãos competentes.
A suspeita central gira em torno do contrato do programa WiFi Livre SP, que previa a instalação de pontos de internet pública na cidade. Segundo os investigadores, há indícios de superfaturamento nos valores cobrados: o ICB recebia R$ 1.800 por ponto de internet instalado, enquanto a Prodam, empresa pública de tecnologia, cobrava R$ 230 pela instalação e R$ 306 pela manutenção mensal de serviços semelhantes.
Metodologia e foco da investigação
Entre os métodos autorizados pelo juiz do caso, Guilherme Eduardo Martins Kellner, estão o arrombamento de cofres e armários trancados, espelhamento de dados em celulares e armazenamento em nuvem, além da análise de relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre movimentações financeiras suspeitas associadas à empresária e ao instituto investigado.
Os investigadores buscam rastrear o fluxo de caixa das empresas envolvidas para determinar se houve uso de verba pública na produção do filme. A operação também visa esclarecer possíveis irregularidades no cumprimento do contrato firmado entre a prefeitura e o ICB.
O posicionamento dos envolvidos
Karina Ferreira da Gama, em manifestações anteriores, afirmou que o filme "Dark Horse" não recebeu qualquer verba de origem pública ou privada no Brasil. A Prefeitura de São Paulo, por sua vez, comunicou que o contrato com o ICB seguiu os princípios de legalidade, transparência e economicidade, além de garantir que está colaborando com as autoridades nas investigações.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência, negou qualquer relação entre as investigações e o financiamento do filme. Ele admitiu ter solicitado apoio financeiro ao empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, que teria repassado R$ 61 milhões ao projeto cinematográfico, mas garantiu que não houve utilização de recursos públicos.
Outras frentes de investigação
Além da Operação Wi-Fi, a Polícia Federal conduz uma investigação paralela para apurar se verbas destinadas ao longa-metragem foram desviadas para custear despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ex-deputado federal, durante sua estadia nos Estados Unidos. Essa apuração amplia o escopo das suspeitas relacionadas ao filme e pode desencadear novos desdobramentos judiciais.
O que se sabe sobre o filme "Dark Horse"
"Dark Horse" é um filme que narra a trajetória política de Jair Bolsonaro, incluindo momentos marcantes como o atentado a faca sofrido durante a campanha presidencial de 2018. A obra gerou controvérsias desde o início, com questionamentos sobre suas fontes de financiamento e possíveis benefícios políticos para a família Bolsonaro, especialmente em um ano de pré-campanha presidencial.
Comparativo de custos
| Prestador | Custo de Instalação por Ponto | Custo Mensal de Manutenção |
|---|---|---|
| Instituto Conhecer Brasil (ICB) | R$ 1.800 | Não informado |
| Prodam | R$ 230 | R$ 306 |
Repercussão política e no mercado
O caso gerou forte repercussão política, especialmente em um período de intensificação das articulações para as eleições de 2026. A oposição tem usado as suspeitas para criticar tanto a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) quanto a família Bolsonaro. Já os aliados do ex-presidente têm minimizado a operação, classificando-a como uma tentativa de desestabilização política.
No setor cultural, a investigação também trouxe à tona discussões sobre a transparência no financiamento de produções cinematográficas no Brasil, especialmente em projetos que abordam figuras públicas e temas políticos. Especialistas destacam a necessidade de maior fiscalização sobre o uso de dinheiro público em iniciativas que, ainda que culturalmente relevantes, podem ter interesses políticos subjacentes.
Próximos passos da investigação
Com os dados obtidos na Operação Wi-Fi, a Polícia Civil deverá aprofundar a análise das movimentações financeiras e dos contratos firmados pelo ICB. A partir dessas informações, será possível determinar se houve de fato desvio de verbas públicas e qual o papel de cada envolvido no esquema.
A Visão do Especialista
Especialistas em direito e política avaliam que o desfecho dessa investigação pode ter implicações significativas tanto para a esfera pública quanto para o cenário político nacional. Caso as suspeitas se confirmem, o caso poderá abrir precedentes para maior controle sobre contratos públicos relacionados a projetos culturais e a atuação de ONGs em parcerias com municípios.
Além disso, o impacto político pode ser profundo, especialmente em um ano eleitoral. O envolvimento de aliados de Bolsonaro, ainda que negado, poderá influenciar o cenário das urnas. O caso "Dark Horse" segue como um ponto de atenção, tanto para a Justiça quanto para a opinião pública, que aguarda respostas concretas sobre o destino dos recursos investigados.
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