O excesso de oferta de crédito consignado no Brasil está elevando o endividamento das famílias, apontou um estudo recente do Centro de Liderança Pública (CLP). Embora essa modalidade de crédito ofereça taxas de juros menores em comparação a outras alternativas, o acesso facilitado e a dependência crescente desse recurso têm levado a um aumento significativo no volume total de dívidas. No momento, o índice de endividamento alcançou 80,9% das famílias brasileiras, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O que é o crédito consignado?

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O crédito consignado é uma modalidade de empréstimo que desconta as parcelas diretamente da folha de pagamento do trabalhador ou do benefício previdenciário do aposentado. Por oferecer menos risco às instituições financeiras, as taxas de juros cobradas costumam ser mais baixas do que as de outras linhas de crédito, como o cheque especial ou o cartão de crédito.

No entanto, essa "facilidade" pode se transformar em armadilha para consumidores desavisados. Acessível e com poucos requisitos, o crédito consignado muitas vezes incentiva o endividamento excessivo, especialmente entre aposentados e servidores públicos.

Homem sentado diante de uma pilha de recibos de dívidas, com um olhar preocupado.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br | Reprodução

Como o crédito consignado impacta no endividamento?

O estudo da CLP indica que o Brasil se tornou dependente da concessão de crédito para sustentar o consumo das famílias e, consequentemente, manter a economia aquecida. Contudo, essa dependência criou um padrão insustentável: o crédito está sendo utilizado, em grande parte, não para investimento ou emergências, mas para financiar o consumo corrente. Isso significa que muitas famílias estão recorrendo a empréstimos mesmo sem aumento proporcional de renda, ampliando o risco de inadimplência.

Além disso, a pesquisa revelou um aumento expressivo no montante de crédito consignado concedido. Em março de 2026, o volume subiu 52%, de R$ 7,146 bilhões em fevereiro para R$ 10,864 bilhões no mês seguinte.

Homem sentado diante de uma pilha de recibos de dívidas, com um olhar preocupado.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br | Reprodução

Os números do endividamento no Brasil

O índice de endividamento das famílias brasileiras atingiu 80,9% em abril de 2026, segundo a CNC. Trata-se do maior nível já registrado, marcando o quarto mês consecutivo de alta. Para efeito comparativo, em abril de 2025, esse número era de 77,6%.

A porcentagem de famílias inadimplentes, ou seja, aquelas que não conseguem pagar as dívidas em dia, também aumentou, passando de 29,6% em março para 29,7% em abril deste ano. Desses inadimplentes, 49,5% estão com débitos atrasados há mais de 90 dias, um indicativo preocupante para a saúde financeira da população.

Mês Endividamento (%) Inadimplência (%) Débitos vencidos > 90 dias (%)
Abril 2025 77,6% 29,1% 49,0%
Março 2026 80,4% 29,6% 49,5%
Abril 2026 80,9% 29,7% 49,5%

A relação entre crédito e política econômica

Outro ponto levantado pelo CLP é a relação entre o crescimento do crédito e a política econômica nacional. Segundo a entidade, a administração federal tem dependido da arrecadação tributária gerada pelo consumo para financiar seus gastos. Esse modelo, no entanto, incentiva o endividamento das famílias como forma de sustentar o consumo e a geração de receita tributária.

O estudo também criticou a falta de uma abordagem estrutural para lidar com o problema. Medidas como o programa Desenrola Brasil, que propõe a substituição de dívidas caras por outras com taxas mais baixas, são paliativas. Apesar de trazerem alívio no curto prazo, não atacam a raiz do problema: o desequilíbrio fiscal e a dependência excessiva de crédito para movimentar a economia.

O papel do Banco Central e a concorrência bancária

Com a abertura promovida pelo Banco Central (BC), novos players entraram no mercado financeiro, ampliando a oferta de crédito. Embora isso tenha aumentado a concorrência e reduzido os custos em algumas modalidades, também permitiu a entrada de produtos com taxas de juros mais elevadas e sem garantias, como o crédito pessoal. O resultado foi um aumento do endividamento de pior qualidade, menos sustentável no longo prazo.

Segundo Isaac Sidney, presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o Desenrola Brasil proporciona alívio financeiro às famílias, mas não resolve o problema estrutural do endividamento. Ele também destacou que a expansão do crédito precisa ser acompanhada por educação financeira e regulação para evitar excessos.

O que o consumidor pode fazer?

Para o consumidor, o cenário atual exige cautela. Antes de contratar um empréstimo consignado ou qualquer outra modalidade de crédito, é fundamental avaliar com atenção a real necessidade da dívida e o impacto das parcelas no orçamento doméstico. Especialistas recomendam que as parcelas de qualquer empréstimo não ultrapassem 30% da renda líquida.

Além disso, é essencial buscar alternativas de renegociação quando as dívidas já acumuladas se tornam insustentáveis. Programas como o Desenrola Brasil podem oferecer algum alívio, mas é igualmente importante rever hábitos de consumo e buscar orientação financeira, se necessário.

A Visão do Especialista

A análise do CLP traz à tona um problema estrutural que vai além do acesso ao crédito em si. O cenário de endividamento recorde das famílias brasileiras reflete um dilema maior da economia do país: a dependência de um modelo baseado no consumo sustentado por crédito, em vez de um crescimento sustentado por aumento de renda e produtividade.

Resolver essa questão exige mais do que soluções paliativas; é necessário implementar reformas fiscais que reduzam os custos do crédito e promovam o equilíbrio das contas públicas. Além disso, investir em educação financeira é crucial para evitar que consumidores tomem decisões financeiras que comprometam sua saúde econômica no longo prazo.

Para o cidadão comum, o momento pede prudência. É preciso avaliar cada decisão de crédito como um investimento, considerando não apenas o custo das parcelas, mas também o impacto no orçamento familiar e a capacidade de pagamento a médio e longo prazo.

O endividamento é um problema que afeta não apenas as famílias, mas também a economia como um todo. Por isso, é fundamental uma abordagem integrada entre governo, instituições financeiras e consumidores para reverter esse cenário.

Homem sentado diante de uma pilha de recibos de dívidas, com um olhar preocupado.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br | Reprodução

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