Exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram ao menor patamar histórico, atingindo US$ 17,4 bilhões no primeiro semestre de 2026. O dado, divulgado pela Amcham Brasil, representa queda de 13% em relação ao mesmo período de 2025 e sinaliza forte pressão tarifária sobre o comércio bilateral.

Contexto histórico e a trajetória da balança comercial

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Desde 1997, a participação dos EUA nas exportações brasileiras oscila, mas nunca havia recuado para 9,4% do total. Esse índice, registrado em 2026, rompe a tendência de crescimento observada nas duas décadas anteriores, quando a fatia americana rondava 12%.

Gráfico de queda nas exportações brasileiras para os EUA, com gráficos em declínio e números em destaque.
Fonte: extra.globo.com | Reprodução

Os "tarifaços" de Trump e o novo 25% da Casa Branca

A política de tarifas iniciada por Donald Trump em 2018 estabeleceu sobretaxas que ainda afetam 40% da pauta brasileira. Em junho de 2026, o USTR implementou nova tarifa de 25% sobre produtos selecionados, mantendo exceções para cerca de 60% das exportações, principalmente manufaturados.

Queda nas exportações: números que assustam

Gráfico de queda nas exportações brasileiras para os EUA, com gráficos em declínio e números em destaque.
Fonte: extra.globo.com | Reprodução

O recuo geral de 12,8% nas transações bilaterais (US$ 36,4 bilhões) evidencia o impacto direto das medidas protecionistas. Enquanto o Brasil aumentou 11,5% suas exportações globais, o mercado norte‑americano se tornou o principal ponto de arrasto.

Produtos mais afetados pelas sobretaxas

Setores como petróleo bruto (-30,4%) e café não torrado (-34,8%) lideram a lista de perdas, refletindo a sensibilidade desses bens a tarifas. O recuo médio de 16,6% nos itens taxados contrasta com 8,7% nos não taxados.

Setores que resistem e até crescem

Aeronaves (+32,9%) e carne bovina (+41%) demonstram que nichos de alta tecnologia e alimentos premium ainda encontram demanda nos EUA. Esses segmentos podem compensar parte da deterioração da pauta geral.

Comparativo de valores semestrais (US$ bilhões)

Item20252026Variação
Total exportações20,017,4-13,0%
Petróleo bruto3,22,2-30,4%
Café não torrado1,50,98-34,8%
Aeronaves0,81,06+32,9%
Carne bovina0,70,99+41,0%

Impacto no bolso do consumidor brasileiro

Com a queda nas exportações, a arrecadação de impostos sobre comércio exterior diminui, pressionando o governo a buscar compensações fiscais. Essa situação pode se traduzir em aumento de tributos indiretos, afetando o custo final de bens importados e a inflação.

Custo‑benefício para exportadores

Empresas que dependem do mercado norte‑americano enfrentam redução de receita e aumento de custos operacionais devido às tarifas. A análise de margem revela que, para cada US$ 1 de exportação, cerca de US$ 0,25 são consumidos por impostos adicionais.

Perspectivas de acordos comerciais

Especialistas apontam que a negociação de um acordo de comércio mais amplo poderia mitigar as sobretaxas e restaurar a competitividade. Contudo, a instabilidade política nos EUA e a agenda do USTR tornam a concretização desse pacto incerta.

Riscos externos: Oriente Médio e volatilidade cambial

Conflitos no Oriente Médio elevam os preços do petróleo, impactando a balança comercial e ampliando a vulnerabilidade do Brasil. Simultaneamente, a desvalorização do real frente ao dólar encarece insumos importados, reduzindo a margem dos exportadores.

Estrategias de mitigação para o setor

Diversificar mercados, investir em certificações de origem e apostar em produtos com isenção tarifária são medidas recomendadas. A ampliação das exportações para China (+21,9%) e UE (+12,8%) já demonstra a eficácia da reorientação comercial.

A Visão do Especialista

O cenário atual exige que empresários avaliem o trade‑off entre volume de vendas e carga tributária, priorizando produtos com maior valor agregado e menor sensibilidade a tarifas. A médio prazo, a adaptação ao novo regime tarifário e a busca por acordos multilaterais serão cruciais para proteger o bolso do consumidor e a sustentabilidade das exportações brasileiras.

Gráfico de queda nas exportações brasileiras para os EUA, com gráficos em declínio e números em destaque.
Fonte: extra.globo.com | Reprodução

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