A atriz Fernanda Montenegro, ícone do cinema e da televisão brasileira, denunciou nesta segunda-feira (13/07/2026) o uso indevido de sua imagem e voz em propagandas fraudulentas de um medicamento milagroso. A fraude, que promete curar até doenças graves como Alzheimer, expõe não apenas questões éticas, mas também sérios riscos à saúde pública.

O caso de Fernanda Montenegro: o uso ilegal de imagem e voz

Em suas redes sociais, Fernanda Montenegro, aos 96 anos, declarou sua indignação ao descobrir que sua voz e imagem estavam sendo usadas sem autorização em anúncios de um produto supostamente destinado a idosos. Segundo a atriz, "o uso invasor dessa dimensão na vida de um ser humano é um crime".

O áudio compartilhado por Fernanda mostrava claramente sua voz manipulada, atrelada a uma propaganda que afirmava que o medicamento era capaz de curar Alzheimer, uma promessa sem qualquer respaldo científico.

Casos similares: celebridades como alvo de fraudes

Fernanda Montenegro não é a primeira personalidade pública a ser vítima de propagandas fraudulentas. Em 2024, o médico Dráuzio Varella denunciou ao Ministério Público de São Paulo o uso não autorizado de sua imagem em vídeos que promoviam medicamentos sem registro na Anvisa.

Outras figuras públicas, como Ana Maria Braga e Glória Pires, também enfrentaram situações semelhantes. Essas fraudes utilizam tecnologias avançadas, como inteligência artificial, para recriar vozes e imagens, tornando as falsificações cada vez mais convincentes.

Como essas fraudes funcionam?

A prática fraudulenta frequentemente envolve o uso de ferramentas de inteligência artificial, capazes de imitar vozes, expressões faciais e até gestos de celebridades. Esses conteúdos manipulados são usados para promover produtos, especialmente medicamentos, que não possuem registro na Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Esses medicamentos, além de serem potencialmente perigosos, são comercializados com falsas promessas de cura, colocando consumidores em risco. Estudos mostram que produtos não regulamentados podem conter substâncias nocivas e sem eficácia comprovada.

Impactos na saúde pública

Medicamentos promovidos por fraudes, como no caso de Fernanda Montenegro, são uma ameaça direta à saúde pública. Produtos sem regulamentação podem causar efeitos adversos graves, intoxicações e até agravar condições de saúde.

Além disso, o uso de imagens de figuras públicas confunde os consumidores, que acreditam na legitimidade do produto devido à credibilidade associada às celebridades.

Regulação e fiscalização no Brasil

No Brasil, a Anvisa é o órgão responsável por regulamentar medicamentos e outros produtos relacionados à saúde. Qualquer produto que prometa tratamentos para doenças graves, como Alzheimer, precisa passar por rigorosos processos de avaliação científica para obter aprovação.

Infelizmente, as fraudes com medicamentos têm se proliferado devido à falta de fiscalização eficaz em plataformas digitais e redes sociais. Isso torna essencial o fortalecimento das políticas de controle e combate à publicidade enganosa.

O papel das plataformas digitais

Plataformas digitais como Facebook, Instagram e YouTube são frequentemente usadas para disseminar essas propagandas falsas. Apesar de terem diretrizes contra conteúdos enganosos, o monitoramento ainda é insuficiente. Muitas dessas plataformas não reagem rapidamente às denúncias, permitindo que as fraudes continuem circulando.

Especialistas em segurança cibernética defendem que empresas de tecnologia invistam em ferramentas mais avançadas para identificar e remover conteúdos fraudulentos.

Como identificar propagandas fraudulentas?

Para ajudar o consumidor, especialistas recomendam:

  • Desconfie de promessas milagrosas: Medicamentos que alegam curar doenças graves geralmente não têm respaldo científico.
  • Verifique o registro na Anvisa: Consulte o site oficial da agência para confirmar se o produto é regulamentado.
  • Investigue a fonte: Certifique-se de que a propaganda foi autorizada pela celebridade mencionada.

Consequências legais para os responsáveis

O uso não autorizado de imagens e vozes de celebridades para fins comerciais é uma violação dos direitos de personalidade, protegidos pela legislação brasileira. Os responsáveis podem enfrentar processos judiciais e sanções penais, como multas e prisão.

Além disso, empresas que promovem medicamentos sem registro podem ser penalizadas pela Anvisa e responder por crimes contra a saúde pública.

Repercussão nas redes sociais

A denúncia de Fernanda Montenegro gerou ampla repercussão nas redes sociais, com fãs e internautas expressando indignação e solidariedade. Muitos usuários também aproveitaram a ocasião para compartilhar casos semelhantes e cobrar maior fiscalização das plataformas digitais.

O episódio reforça a importância de um consumo consciente e de verificar a veracidade das informações antes de confiar em qualquer produto ou serviço divulgado online.

A Visão do Especialista

Casos como o de Fernanda Montenegro evidenciam um problema crescente: o uso indevido de tecnologia para fins fraudulentos. É crucial que consumidores, autoridades e plataformas se unam para combater esse tipo de prática.

Especialistas em saúde pública alertam para os riscos de comprar medicamentos sem registro, destacando que a automedicação baseada em promessas enganosas pode trazer consequências graves. Paralelamente, profissionais de segurança digital defendem maior responsabilização das empresas de tecnologia na remoção de conteúdo falso.

Como sociedade, precisamos investir em educação digital e conscientização para que todos saibam identificar e denunciar fraudes. A proteção da imagem de figuras públicas e a saúde da população são responsabilidades coletivas.

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