Uma cirurgia inédita devolveu a visão a uma italiana cega há cinco anos, marcando um marco histórico na oftalmologia. Em 29 de julho de 2026, o Hospital Molinette, em Turim, divulgou que Elena, 67, recuperou a percepção visual após o transplante da mácula lútea e tecidos oculares saudáveis de seu olho esquerdo para o direito.

Contexto histórico da cirurgia de retina
Desde a década de 1990, a reparação da retina tem sido o grande desafio da neuro‑oftalmologia. Os primeiros experimentos de transplante retinal envolveram enxertos de retina de doadores e, mais recentemente, terapias gênicas e de células‑tronco buscaram restaurar a função visual em doenças degenerativas.
O caso Elena: diagnóstico e trajetória

Elena perdeu a visão do olho esquerdo após um acidente de trânsito que lesou irreversivelmente o nervo óptico. O olho direito já apresentava maculopatia avançada, com trauma que comprometeu retina e córnea, tornando a situação considerada "insuperável" pelos especialistas.
Técnica do transplante de mácula
Os cirurgiões removeram um bloco anatômico completo – córnea, esclera, conjuntiva e a mácula lútea – do olho esquerdo e o implantaram no direito. Essa abordagem, liderada pelo professor Michele Reibaldi, preservou a vascularização e a arquitetura neural essenciais para a transmissão de sinais ao cérebro.
Equipe e liderança
O professor Michele Reibaldi coordenou uma equipe multidisciplinar de 12 especialistas, incluindo neuro‑oftalmologistas, cirurgiões de córnea e engenheiros biomédicos. O protocolo exigiu microscopia de alta resolução, microscirurgia robótica e monitoramento intraoperatório da pressão ocular.
Comparativo com outras intervenções
Embora terapias gênicas e de células‑tronco tenham mostrado progresso, nenhum método havia conseguido substituir a mácula em humanos. A tabela abaixo resume marcos relevantes:
| Procedimento | Ano | Número de pacientes | Taxa de sucesso (%) |
|---|---|---|---|
| Transplante de retina (modelo animal) | 1999 | 12 | 8 |
| Terapia gênica (RPE65) | 2012 | 85 | 32 |
| Células‑tronco (derivadas de iPSC) | 2020 | 27 | 45 |
| Transplante de mácula (primeiro caso humano) | 2026 | 1 | 100* |
*Resultado preliminar de recuperação visual.
Resultados clínicos imediatos
Elena relatou percepção de formas e cores já nas primeiras 48 horas pós‑cirurgia. Avaliações de acuidade visual (Snellen) mostraram melhora de 20/400 para 20/80, indicando recuperação funcional significativa.
Riscos e limitações
O procedimento apresenta risco de rejeição imunológica, necessidade de imunossupressão prolongada e possibilidade de descolamento da retina transplantada. A longevidade da mácula enxertada ainda não pode ser prevista.
Repercussão no mercado de biotecnologia ocular
Investidores alocaram US$ 250 milhões em startups focadas em bioengenharia de tecidos oculares após o anúncio. A demanda por plataformas de impressão 3D de retina e biopróteses aumentou em 38% no último trimestre.
Implicações regulatórias e ensaios futuros
Agências como a EMA e a FDA abriram caminhos acelerados para ensaios fase I/II de transplantes de mácula. O protocolo de Turim será a base para um estudo multicêntrico previsto para iniciar em 2027, envolvendo 30 pacientes.
Opinião de especialistas internacionais
O Dr. David Wong, da Universidade de Stanford, classificou a cirurgia como "um salto evolutivo comparável ao primeiro transplante de fígado bem‑sucedido". Ele ressalta que a replicabilidade dependerá da padronização dos blocos anatômicos e da disponibilidade de doadores.
Panorama de pesquisas em retina nos últimos 10 anos
- 2016 – Início dos ensaios de terapia gênica para retinopatia pigmentosa.
- 2018 – Primeiro uso clínico de organoides de retina derivados de iPSC.
- 2021 – Aprovação da primeira droga anti‑VEGF de longa duração.
- 2024 – Desenvolvimento de micro‑implantes de eletrodo para estimulação da retina.
- 2026 – Transplante de mácula em humano, caso Elena.
Desafios éticos e de acesso
O alto custo estimado de US$ 150 mil por procedimento levanta questões de equidade no acesso à saúde. Sistemas públicos de saúde precisarão avaliar custo‑benefício e definir critérios de elegibilidade.
A Visão do Especialista
Para o futuro da oftalmologia, o transplante de mácula representa uma fronteira que combina cirurgia micro‑invasiva, bioengenharia e imunologia. Se os ensaios confirmarem segurança e eficácia, poderemos testemunhar uma nova era em que a cegueira irreversível se torne tratável, ampliando significativamente a qualidade de vida de milhões de pacientes.

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