Friedrich Merz completa um ano no cargo de primeiro‑ministro da Alemanha com a pior avaliação da história recente. Em 6 de maio de 2026, pesquisas apontam que apenas 11 % da população aprova seu governo, número que representa um recorde de impopularidade para um premiê alemão.

Contexto histórico: da CDU à liderança

A ascensão de Merz marca a volta dos conservadores ao poder após oito anos de domínio social‑democrata. Filho de um advogado de Frankfurt, Merz construiu sua carreira no setor financeiro antes de entrar na política, assumindo a liderança da CDU em 2024 e substituindo Olaf Scholz, que enfrentava uma coalizão igualmente frágil.

O cenário de impopularidade

Pesquisas do Instituto Forsa mostram que a aprovação de Merz despencou de 38 % em julho de 2025 para 11 % em maio de 2026. O índice de insatisfação subiu de 58 % para 87 %, tornando‑se a pior avaliação de um premiê desde a reunificação.

PeríodoAprovaçãoInsatisfação
Julho 202538 %58 %
Janeiro 202622 %71 %
Maio 202611 %87 %

Coalizão frágil: CDU/CSU, SPD e os atritos internos

Merz governa com uma aliança tripartite que nunca encontrou consenso pleno. A CDU/CSU, liderada por Merz, divide o poder com o SPD, representado por Larks Klingbeil, vice‑primeiro‑ministro e ministro das Finanças, e a CSU bávara, que frequentemente bloqueia propostas centrais.

Políticas em choque: energia, finanças e reformas

O debate sobre a política energética ilustra a divisão: a CDU quer mais usinas de gás, enquanto o SPD pressiona por subsídios à energia verde. Na mesma linha, a reforma da previdência e a proposta de taxar grandes fortunas foram postergadas por divergências ideológicas.

Ascensão da AfD e o risco de polarização

A Alternativa para a Alemanha (AfD) alcançou 27 % nas últimas sondagens, ultrapassando a CDU/CSU que registra 22 %. Esse avanço pressiona Merz a adotar uma retórica mais dura, ao mesmo tempo em que corrige a percepção de que o governo não tem solução para a crise econômica.

Eleições regionais de setembro: um termômetro político

As votações em Baden‑Württemberg e Saxônia são vistas como referendo ao governo Merz. Caso a AfD vença, a pressão sobre a coalizão aumentará, podendo desencadear um governo de unidade nacional ou novas eleições antecipadas.

Conflito internacional: a troca de farpas com Donald Trump

Em Marsberg, Merz afirmou que "os americanos não têm estratégia" diante do Irã, gerando uma resposta explosiva de Donald Trump. O ex‑presidente dos EUA anunciou a retirada de 5 000 soldados da Alemanha e propôs uma sobretarifa de 25 % nas exportações europeias para os EUA.

Repercussão econômica: indústria automotiva em alerta

Montadoras alemãs temem a perda de acesso ao mercado americano, que responde a 15 % de suas exportações. O Conselho Alemão da Indústria pediu ao governo Merz que negocie a tarifa, sob risco de reduzir investimentos e postos de trabalho.

Frases polêmicas e a estratégia de comunicação

Merz tem adotado um discurso "franco" que, embora valorizado no mundo dos negócios, gera desconforto na esfera pública. Em entrevista ao Der Spiegel, ele repetiu a necessidade de "explicar, explicar, explicar", mas a população continua cética.

Especialistas analisam o futuro próximo

Analistas políticos do Financial Times alertam que a combinação de impopularidade, pressões internas e externas pode levar a um governo de emergência. A possibilidade de um novo pacto com os Verdes ou até mesmo a dissolução da coalizão está em pauta.

Resumo cronológico dos principais fatos do último ano

  • Junho 2025 – Merz assume a Chanceleria da Alemanha.
  • Agosto 2025 – Primeiras críticas ao governo; aprovação em 38 %.
  • Novembro 2025 – Conflito com SPD sobre política energética.
  • Fevereiro 2026 – AfD supera CDU/CSU em sondagem nacional.
  • Março 2026 – Troca de farpas com Donald Trump em Marsberg.
  • Maio 2026 – Aprovação histórica de 11 %; Merz completa um ano.

A Visão do Especialista

O próximo semestre será decisivo para a sobrevivência política de Merz. Se a coalizão não conseguir alinhar suas divergências e conter a ascensão da AfD, a Alemanha poderá enfrentar um governo de transição ou até mesmo novas eleições antecipadas, o que traria ainda mais volatilidade ao mercado europeu e às relações transatlânticas.

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