Sete escritores brasileiros revelam as principais descobertas que fizeram ao reler "Grande Sertão: Veredas" nas entrevistas concedidas ao repórter Lucas Lanna Resende. O depoimento, publicado em 12/04/2026, traz relatos de autores premiados que destacam a influência da obra de Guimarães Rosa em suas trajetórias literárias.

Escritores brasileiros releem Guimarães Rosa e desvendam segredos do sertão.
Fonte: www.em.com.br | Reprodução

O romance de 1956, celebrado em seu 70.º aniversário, continua a ser referência obrigatória nos cursos de literatura e nas livrarias do país. Publicado pela Editora José Olympio, o livro permanece sob direitos autorais até 2037, conforme a Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98).

Marcelino Freire, vencedor do Jabuti 2006, afirma que a obra lhe abriu "uma nova perspectiva sobre a linguagem pluriversal do sertão". Para o escritor de "Contos Negreiros", o texto funciona como um mapa de possibilidades narrativas.

O que os escritores destacam sobre a linguagem do "Grande Sertão"?

Jeferson Tenório, laureado em 2021, descreve o romance como "um espelho filosófico que reflete a complexidade da cultura brasileira". O autor de "O avesso da pele" enfatiza a capacidade do livro de conectar questões existenciais ao cotidiano sertanejo.

Bianca Santana destaca a "miscelânea de narradores que questionam a própria verdade" como elemento central de sua experiência de leitura. A escritora de "Apolinária" vê nessa instabilidade narradora um convite à reflexão sobre a subjetividade.

Geni Nuñez relata que o livro se tornou "um legado familiar", lembrado desde a infância ao lado de seu avô. A autora de "Descolonizando afetos" menciona a repetição de leituras como forma de descobrir novos sentidos a cada volta.

Quais impactos a obra tem na produção literária contemporânea?

Leo Cunha lembra que "as histórias de Rosa permeiam minha vida desde a adolescência, influenciando minha escrita infantil". O vencedor do Jabuti 1994 destaca a presença do romance nas discussões sobre literatura infantil.

Leonencio Nossa, crítico e pesquisador, aponta que "Minas Gerais funciona como porta de entrada para o universo rosiano". O especialista ressalta a importância regional na construção da narrativa.

Em conjunto, os autores apontam quatro descobertas recorrentes: a profundidade filosófica, a pluralidade linguística, a instabilidade do narrador e a conexão entre o sertão interno e o território físico.

  • Filosofia e existencialismo – revelados por Tenório e Freire;
  • Pluralidade de vozes – destacada por Santana e Nuñez;
  • Narrador não‑onisciente – analisado por Freire e Santana;
  • Ligação entre o sertão interior e o Brasil rural – enfatizada por Nossa e Cunha.

Qual a repercussão institucional e de mercado?

Após as entrevistas, as vendas da edição de capa azul aumentaram 23 % nas primeiras duas semanas. Livrarias independentes relataram maior procura por edições comentadas e versões anotadas.

Universidades de Minas, São Paulo e Rio de Janeiro já incluíram o livro em seus currículos de literatura comparada para 2027. A Comissão de Literatura Brasileira da CAPES aprovou a atualização dos eixos temáticos.

O Ministério da Cultura anunciou, em 15/04/2026, a criação do "Projeto Sertão Vivo", que financiará eventos de leitura e debates sobre a obra de Guimarães Rosa. O programa prevê 15 conferências regionais até 2028.

O que se espera para o futuro da obra?

Editoras planejam lançar uma edição digital interativa, com notas de rodapé colaborativas de leitores e críticos. A iniciativa, liderada pela Editora Record, deve ser lançada no segundo semestre de 2026.

Compartilhe essa notícia no WhatsApp com seus amigos.