Jack, uma onça-pintada de 18 anos, recebeu a primeira transfusão de sangue entre felinos silvestres realizada no Brasil, como tentativa de reverter um quadro grave de doença renal.
O felino apresentava sinais típicos de insuficiência renal, como fraqueza, apatia e anemia profunda, que comprometiam sua qualidade de vida.
Embora a hemodiálise fosse a terapia padrão, a condição crítica de Jack impedia a aplicação imediata desse tratamento invasivo.
Os veterinários optaram, então, por uma alternativa inovadora: transfundir sangue de outra onça-pintada saudável, a fêmea Ruana, residente no Simba Safari.
Como foi realizado o procedimento?
Antes da transfusão, Ruana passou por exames hematológicos, tipagem sanguínea e teste de compatibilidade, seguindo protocolos usados em medicina humana.
A equipe de veterinários do zoológico de Sorocaba, liderada por Gabriel Corrêa Camargo, coletou 300 ml de sangue total sob sedação leve, garantindo a segurança de ambas as onças.
O sangue foi filtrado, conservado por menos de duas horas e, em ambiente estéril, administrado intravenosamente em Jack, que estava sob monitoramento intensivo.
Qual a importância para a conservação?
Jack integra um grupo de 89 onças-pintadas mantidas em programas de conservação que visam preservar a espécie e apoiar pesquisas de saúde animal.
- Data da transfusão: 30/03/2026
- Local: Zoológico de Sorocaba, São Paulo
- Doador: Ruana, onça-pintada adulta saudável
- Beneficiário: Jack, onça-pintada de 18 anos com insuficiência renal
Esse caso abre caminho para que outras instituições considerem transfusões como medida de suporte em situações de emergência, reduzindo a necessidade de intervenções mais agressivas.
Estudos publicados em revistas veterinárias apontam que transfusões entre felinos de grande porte são viáveis, desde que haja rigor na tipagem sanguínea e monitoramento pós‑transfusão.
O que acontece agora?
Após a transfusão, Jack mostrou melhora no apetite e na disposição, sinais que indicam absorção efetiva do sangue doado.
Com o quadro estabilizado, a equipe planeja iniciar a hemodiálise nas próximas semanas, acompanhando parâmetros bioquímicos como creatinina e ureia.
Entretanto, desafios permanecem: a logística de coleta, armazenamento e compatibilidade sanguínea ainda é limitada a poucos centros especializados.
O sucesso de Jack pode estimular investimentos em bancos de sangue de felinos silvestres, ampliando a capacidade de resposta a emergências médicas em zoológicos.
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