A economia do Peru está sendo chamada de "zumbi" porque a sucessão de crises políticas impede a implementação de políticas sustentáveis. Mesmo com crescimento do PIB, a instabilidade governamental tem corroído a eficácia das decisões macroeconômicas.
O Banco Central de Reserva do Peru (BCRP) mantém autonomia constitucional, o que garante certa estabilidade monetária. Essa independência tem sido crucial para preservar a confiança dos investidores estrangeiros.
Nas duas primeiras décadas do século 21, o Peru registrou crescimento médio de 4 % ao ano, com picos acima de 10 %. Contudo, a partir de 2018 o ritmo desacelerou significativamente.
Como a instabilidade política afetou a política econômica?
A renúncia do presidente Pedro Pablo Kuczynski em março de 2018 desencadeou um ciclo de mudanças frequentes de chefia. Desde então, oito presidentes ocuparam o cargo, criando um ambiente de incerteza.
- 2018 – Pedro Pablo Kuczynski (renúncia)
- 2018‑2020 – Martín Vizcarra (impeachment)
- 2020 – Manuel Merino (renúncia)
- 2020‑2021 – Francisco Sagasti (interino)
- 2021‑2022 – Pedro Castillo (destituído)
- 2022 – Dina Boluarte (impeachment)
- 2022‑2023 – José Jerí (destituído)
- 2023‑2024 – José María Balcázar (nomeado pelo Congresso)
Os ministros da Economia permanecem em média sete a oito meses no cargo. Essa rotatividade impede a continuidade de estratégias de longo prazo.
Setores que demandam planejamento de anos, como a mineração, enfrentam dificuldade para garantir investimentos. A falta de previsibilidade nas políticas tributárias e regulatórias eleva o risco de projetos.
Especialistas apontam que a falta de políticas estáveis reduz a competitividade do país no mercado internacional. A "economia zumbi" reflete a incapacidade de transformar crescimento potencial em desenvolvimento real.
Quais são os indicadores sociais que revelam a economia zumbi?
O índice de pobreza subiu de 20 % em 2019 para 27,6 % em 2024, segundo o INEI. Esse aumento evidencia que o crescimento macro não tem se traduzido em melhora de vida.
A renda real do setor formal não recuperou os níveis pré‑pandemia. Dados oficiais mostram estagnação salarial apesar da expansão do PIB.
Armando Mendoza, do Centro Peruano de Estudos Sociais, afirma que "a economia continua crescendo, mas a um custo de oportunidades perdidas". Ele estima que, com políticas consistentes, o crescimento poderia alcançar 5‑6 % ao ano.
Diego Macera, diretor do Instituto Peruano de Economia, destaca que o Peru não aproveitou o boom dos preços do ouro e do cobre. Esses minerais são as principais exportações do país.
- Ouro – preço internacional acima de US$ 2.200 por onça (2024)
- Cobre – preço internacional acima de US$ 9.000 por tonelada (2024)
O que se espera das próximas eleições?
As eleições gerais ocorrerão em 12 de abril de 2026, com votação para presidente, Congresso e autoridades regionais. Os principais candidatos são Rafael López Aliaga e Keiko Fujimori.
Analistas preveem que o resultado poderá redefinir a estabilidade política e, por consequência, a confiança dos investidores. Um governo com mandato sólido poderia reduzir a volatilidade institucional.
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