Na noite de 11 de junho de 2026, a Polícia Federal (PF) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que rejeitou a segunda proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, ex‑sócio do agora liquidado Banco Master.
Contexto histórico do caso Vorcaro
O Banco Master, fundado em 2004, foi alvo de investigações por supostas fraudes que resultaram em um rombo estimado em R$ 60 bilhões. Em novembro de 2025 o Banco Central decretou sua liquidação e nomeou um liquidante oficial para conduzir o processo de encerramento.
Chronologia das tentativas de colaboração
- 08/05/2026 – Primeira proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro.
- 15/05/2026 – PF rejeita a primeira proposta por falta de novidades.
- 02/06/2026 – Defesa de Vorcaro anuncia novo texto de colaboração.
- 11/06/2026 – PF comunica ao STF a segunda rejeição.
A avaliação da Polícia Federal
A PF concluiu que a nova proposta não trouxe informações novas nem identificou crimes cometidos por parceiros de Vorcaro. O órgão ressaltou que a colaboração deve apresentar "elementos novos e relevantes" para ser aceita.
Fundamentação legal da delação premiada
Regida pela Lei nº 12.850/2013, a delação premiada exige que o colaborador forneça provas concretas e que o acordo seja homologado pelo juiz competente. No âmbito federal, a homologação depende da avaliação da PF e da Procuradoria‑Geral da República (PGR).
Objetivo da PGR e da PF: ressarcimento dos prejuízos
As autoridades buscam garantir o pagamento integral dos R$ 60 bilhões desviados, com prazo curto para a restituição. A estratégia inclui bloqueio de bens, medidas cautelares e negociação de acordos que incluam multas e perdas de bens.
Dados comparativos do caso
| Item | Valor / Data |
|---|---|
| Montante desviado | R$ 60 bilhões |
| Data da liquidação do Banco Master | Novembro 2025 |
| Primeira rejeição da delação | 15/05/2026 |
| Segunda rejeição da delação | 11/06/2026 |
Repercussão no mercado financeiro
A falência do Banco Master provocou volatilidade nas ações de instituições financeiras correlatas e reforçou o alerta regulatório sobre governança corporativa. Analistas apontam que a ausência de acordo de colaboração pode atrasar a recuperação de credores.
Posicionamento do STF
O Supremo Tribunal Federal retomará nesta semana o julgamento sobre a prisão do pai de Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro. A decisão pode influenciar futuras medidas restritivas contra a família.
Desafios na corroboração dos relatos
Investigadores destacam que, estando preso, Vorcaro precisa apresentar documentos internos do Banco Master para validar suas alegações. A falta desses documentos tem sido o principal obstáculo para a aceitação da delação.
Postura da defesa de Daniel Vorcaro
A defesa afirmou estar pronta para submeter um novo texto de colaboração, buscando atender aos requisitos de novidade e prova. Contudo, a PF permanece cautelosa quanto à consistência das informações.
Possíveis cenários futuros
Se nova proposta for aceita, Vorcaro poderá obter redução de pena e benefício de suspensão condicional. Caso contrário, o processo criminal seguirá com possibilidade de condenação e manutenção das medidas cautelares.
Impactos regulatórios e de compliance
O caso reforça a necessidade de mecanismos robustos de compliance nas instituições financeiras brasileiras. O Banco Central tem intensificado a supervisão e exigido planos de mitigação de risco de fraude.
A Visão do Especialista
Especialistas em direito penal e mercado apontam que a recusa reiterada da PF indica que a estratégia de Vorcaro pode ser apenas uma tentativa de ganhar tempo. O próximo passo provável é a apresentação de um novo acordo com evidências documentais sólidas ou o prosseguimento do processo criminal, que pode culminar em penas severas e maior pressão sobre os bens da família Vorcaro.
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