O podcast "Meu Inconsciente Coletivo" lançou nesta sexta (3) um debate sobre a suposta "moda" de diagnósticos de autismo. Convidada a conversar com a escritora Tati Bernardi, a psiquiatra e pediatra Patricia Ferraz traz dados e reflexões sobre a crescente procura por avaliações neuropsiquiátricas.

Podcast Viralink debate a crescente discussão sobre a "moda" de diagnóstico de autismo.
Fonte: redir.folha.com.br | Reprodução

Nos últimos cinco anos, o número de solicitações de avaliação para autismo subiu cerca de 35 % no Brasil. Esse aumento acompanha a maior visibilidade da neurodivergência nas redes e a ampliação de políticas de inclusão nas escolas.

Patricia Ferraz alerta que o diagnóstico precoce deve ser ponto de partida, não rótulo definitivo. "Não pode ser um fim, nem um instrumento que se sobreponha à pessoa", afirma a profissional.

Podcast Viralink debate a crescente discussão sobre a "moda" de diagnóstico de autismo.
Fonte: redir.folha.com.br | Reprodução

O que dizem os especialistas?

Especialistas reforçam que autismo representa apenas 1 % dos transtornos de neurodesenvolvimento. Outros quadros, como TDAH e atrasos de linguagem, ainda são mais prevalentes, mas recebem menos atenção midiática.

As revisões classificatórias da psiquiatria – DSM‑5 e ICD‑11 – ampliaram critérios, facilitando a identificação de perfis menos típicos. Essa flexibilização gerou tanto oportunidades de apoio quanto risco de superdiagnóstico.

Redes sociais alimentam "checklists" simplificados que confundem pais e educadores. A falta de formação adequada pode transformar dúvidas legítimas em buscas por rótulos rápidos.

O uso de medicação para "corrigir" comportamentos levanta questões éticas. Ferraz diferencia fármacos que melhoram rendimento mental daqueles que pretendem mudar a personalidade da criança.

Impactos na família e na escola

Famílias pressionadas buscam respostas rápidas, muitas vezes sem acompanhamento multidisciplinar. O medo de deixar o filho "para trás" alimenta a demanda por avaliações.

Instituições de ensino, diante de legislações inclusivas, passam a exigir diagnósticos para oferecer adaptações. Essa exigência pode acelerar processos diagnósticos, nem sempre baseados em avaliação completa.

  • ↑ 28 % nas solicitações de avaliação em escolas públicas (2023‑2025).
  • ↑ 42 % de prescrições de estimulantes para crianças sem diagnóstico formal de TDAH.
  • ↑ 15 % de relatos de famílias que se sentem "obrigadas" a buscar diagnóstico para garantir apoio.
  • ↓ 9 % na taxa de abandono de terapia após confirmação de diagnóstico de autismo.

Identificar precocemente pode garantir intervenções eficazes, mas o estigma associado ao rótulo ainda persiste. O desafio é equilibrar apoio especializado sem transformar o diagnóstico em marca permanente.

Qual é o panorama atual?

O episódio do podcast já gerou mais de 200 mil streams nas primeiras 48 horas. Comentários nas plataformas apontam para a necessidade de orientação profissional e de políticas claras.

Entidades como a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) recomendam avaliações multidisciplinares e cautela frente a "checklists" populares. Diretrizes recentes enfatizam acompanhamento longitudinal e apoio familiar.

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