A mais recente pesquisa de intenção de votos para o governo da Bahia, realizada pelo Instituto Quaest e encomendada pela Genial Investimentos, apontou um cenário de acirrada disputa entre os principais candidatos ao cargo. Os dados, divulgados em 29 de abril de 2026, mostram um empate técnico entre ACM Neto (União Brasil) e o atual governador Jerônimo Rodrigues (PT), a poucos meses das eleições. O levantamento ouviu 1.200 eleitores baianos entre os dias 23 e 27 de abril, com margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos e um nível de confiança de 95%.

Os cenários testados pela pesquisa Quaest

De acordo com a pesquisa, foram testados dois cenários para o primeiro turno. No primeiro, ACM Neto aparece com 41% das intenções de voto, enquanto Jerônimo Rodrigues registra 37%. A margem de erro coloca os dois candidatos em uma situação de empate técnico. Já no segundo cenário, os números variam levemente, com ACM Neto ainda liderando com 41%, mas com Jerônimo obtendo 36% das preferências.

A pesquisa também incluiu uma simulação de segundo turno. Nesse caso, a disputa permanece apertada, com ACM Neto apresentando uma ligeira vantagem numérica, mas novamente dentro da margem de erro, configurando um novo empate técnico. Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, essa é uma das disputas mais equilibradas do cenário eleitoral de 2026.

O contexto político da Bahia

A Bahia é historicamente um estado estratégico no cenário político nacional. Governado pelo PT desde 2007, com a eleição de Jaques Wagner, o estado tornou-se um importante bastião da esquerda no Nordeste. Jerônimo Rodrigues, atual governador, tenta a reeleição e busca consolidar o apoio ao PT, partido que tem forte ligação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito em 2022.

Por outro lado, ACM Neto, ex-prefeito de Salvador, representa o União Brasil e busca retomar o controle do governo baiano para o grupo político ligado à tradicional família Magalhães, que dominou a política local por décadas. A campanha de ACM Neto tem enfatizado propostas de gestão e segurança pública, enquanto Jerônimo aposta na continuidade das políticas sociais e na parceria com o governo federal.

Perfis dos candidatos

ACM Neto

Antonio Carlos Magalhães Neto, conhecido como ACM Neto, é neto do ex-senador e governador baiano Antonio Carlos Magalhães. Foi prefeito de Salvador por dois mandatos consecutivos (2013-2020), com alta popularidade devido a projetos de infraestrutura e requalificação urbana na capital. Sua campanha tem buscado mobilizar eleitores insatisfeitos com a gestão petista, especialmente no interior do estado.

Jerônimo Rodrigues

Jerônimo Rodrigues é engenheiro agrônomo e professor universitário, com uma longa trajetória ligada à gestão pública e ao setor educacional. Antes de assumir o governo da Bahia em 2023, foi secretário de Educação e de Desenvolvimento Rural no estado. Sua estratégia política está voltada para reforçar as políticas sociais e o alinhamento com as diretrizes do governo federal.

Fatores que podem influenciar as eleições

  • Força do governo federal: Cerca de 47% dos entrevistados na pesquisa afirmaram preferir eleger um aliado do presidente Lula para governar a Bahia, o que pode beneficiar Jerônimo Rodrigues. Em contrapartida, 33% preferem um político independente, enquanto 15% desejam um governante alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
  • Desempenho econômico: O impacto das políticas econômicas do governo federal e estadual, especialmente no que diz respeito à geração de empregos e programas sociais, pode ser um fator decisivo para os eleitores.
  • Campanhas regionais: A força eleitoral de ambos os candidatos no interior da Bahia, onde vivem mais de 70% dos eleitores, será crucial para determinar o resultado das eleições.

Comparativo das intenções de voto

Cenário ACM Neto Jerônimo Rodrigues
1º turno (cenário 1) 41% 37%
1º turno (cenário 2) 41% 36%
2º turno Vantagem numérica (dentro da margem de erro) Empate técnico

Impacto no cenário nacional

A disputa pelo governo da Bahia tem desdobramentos que vão além do estado. Como um dos maiores colégios eleitorais do Brasil, com mais de 11 milhões de eleitores, o resultado pode influenciar a correlação de forças entre os blocos políticos em nível nacional. Além disso, a escolha de um governador alinhado ao governo federal ou de oposição tem implicações diretas na coordenação de políticas públicas e na distribuição de recursos.

A visão do especialista

Especialistas apontam que o cenário eleitoral na Bahia reflete a polarização política que persiste no Brasil desde as eleições presidenciais de 2018. Com um histórico de alternância entre dois grandes grupos políticos, a disputa entre ACM Neto e Jerônimo Rodrigues é um microcosmo da luta pelo poder no país, envolvendo questões que vão desde alinhamentos ideológicos até a gestão de políticas públicas.

Com o empate técnico apontado pela pesquisa Quaest, o cenário permanece indefinido, e a expectativa é de uma disputa acirrada até o dia do pleito. Fatores como o nível de engajamento das campanhas, a mobilização no interior e a capacidade de atrair votos indecisos serão determinantes para definir o próximo governador da Bahia.

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