Marcelo Conde, filho do falecido ex-prefeito do Rio de Janeiro, Luiz Paulo Conde, foi apontado como mandante de um esquema que violou dados fiscais da esposa do ministro Alexandre de Moraes. A Polícia Federal solicitou sua prisão preventiva após a Operação Exfil, deflagrada nesta quarta‑feira (1º).
Luiz Paulo Conde, que governou a capital carioca entre 1997 e 2001, deixou um legado político ainda influente. Seu filho, empresário de atuação no setor de tecnologia, teria usado contatos internos para acessar informações confidenciais da Receita Federal.
Segundo a apuração da PF, Marcelo adquiriu mais de mil registros de contribuintes, incluindo dados da senhora Viviane Barci, esposa do magistrado. O pagamento seria feito em dinheiro, cerca de R$ 4.500 por CPF, conforme depoimentos colhidos durante as investigações.
Como se desenvolveu a Operação Exfil?
A Operação Exfil foi iniciada em 17 de fevereiro de 2026, dentro do inquérito das fake news. Autorizada pelo próprio ministro Moraes, a ação visou desarticular uma rede que explorava vulnerabilidades nos sistemas da Receita e do Coaf.
Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em seis endereços no Rio de Janeiro e em São Paulo. As buscas revelaram computadores, smartphones e notas que comprovavam a compra de listas de CPFs.
- 1.819 contribuintes tiveram seus dados acessados ilegalmente.
- Vítimas incluíram ministros do STF, membros do TCU, parlamentares e empresários.
- O esquema operava com servidores públicos, terceirizados e despachantes.
Qual o papel da Receita Federal e do COAF nesse caso?
Os sistemas da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras foram invadidos por meio de credenciais fraudadas. A investigação aponta falhas de segurança que permitiram a extração massiva de informações tributárias.
Especialistas em cibersegurança alertam que o acesso indevido pode comprometer a privacidade de milhares de cidadãos. O caso reforça a necessidade de aprimorar a proteção de dados sensíveis em órgãos governamentais.
Repercussão política e judicial
A revelação do vazamento envolvendo a família de um ministro do STF gerou forte comoção no Congresso. Parlamentares exigem respostas rápidas sobre a segurança dos bancos de dados públicos.
O inquérito das fake news, iniciado em 2019 por então presidente do STF, Dias Toffoli, ganhou nova dimensão ao envolver autoridades de alto escalão. O relator Alexandre de Moraes agora lida simultaneamente com a investigação de desinformação e o caso de acesso ilícito.
O que acontece agora?
Marcelo Conde permanece foragido no exterior, dificultando a sua captura. A Polícia Federal busca cooperação internacional para sua extradição e mantém o mandado de prisão preventiva ativo.
Enquanto isso, a Justiça acompanha de perto as medidas de reforço à segurança da informação nos órgãos federais. O desdobramento do caso pode resultar em novas normas de proteção de dados no Brasil.
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