Dois em cada três brasileiros desconhecem o teste FIT (Teste Imunoquímico Fecal), exame simples e eficaz utilizado no rastreamento precoce do câncer de intestino. Este dado alarmante foi revelado em uma pesquisa inédita conduzida pelo Hospital A.C. Camargo, em parceria com a Nexus, e divulgada em 20 de julho de 2026. A falta de conhecimento sobre o exame compromete a detecção precoce da doença, que tem altas chances de cura quando diagnosticada em estágios iniciais.

O que é o teste FIT e como ele funciona?

O teste FIT é um exame não invasivo que detecta pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, invisíveis a olho nu. Ele é simples de ser realizado e consiste na coleta de uma amostra de fezes pelo próprio paciente, que é então analisada em laboratório. Se o resultado for positivo, o paciente é encaminhado para a realização de uma colonoscopia, exame mais detalhado que pode confirmar o diagnóstico ou identificar lesões precursoras, como pólipos, antes que evoluam para um câncer.

Por que o desconhecimento sobre o teste é preocupante?

O câncer colorretal é o segundo tipo de câncer mais incidente no Brasil, segundo dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer). A detecção precoce é essencial porque as chances de cura ultrapassam 90% em estágios iniciais. No entanto, a pesquisa revelou que 67% dos brasileiros nunca ouviram falar do teste FIT, o que reduz as oportunidades de diagnóstico precoce e, consequentemente, de tratamento efetivo.

Outro dado preocupante é que, embora 80% dos entrevistados na pesquisa reconheçam a gravidade de sinais como sangue nas fezes, quase metade daqueles que já perceberam esse sintoma não procuraram atendimento médico. Este comportamento reflete uma lacuna na conscientização e acesso à saúde.

A relação entre sintomas e diagnóstico tardio

Entre os principais sintomas do câncer de intestino estão: sangue nas fezes, alteração no hábito intestinal, dor abdominal, perda de peso inexplicada e fadiga. Apesar de serem sinais conhecidos por muitos, o levantamento indica que há uma resistência ou negligência em buscar ajuda médica, mesmo diante de sintomas graves.

Um caso que trouxe visibilidade ao tema foi o da cantora Preta Gil, diagnosticada e tratada após apresentar sintomas como prisão de ventre intensa e sangue nas fezes. Sua experiência, amplamente divulgada, trouxe à tona a importância da detecção precoce, mas também expôs o desconhecimento generalizado sobre o diagnóstico e tratamento do câncer colorretal.

Crescimento de casos em jovens preocupa especialistas

Embora o câncer colorretal seja mais incidente em pessoas com mais de 50 anos, a incidência em pacientes jovens tem crescido de forma preocupante. Dados do Hospital A.C. Camargo indicam um aumento anual de quase 3% nos casos em pessoas com menos de 50 anos entre 2000 e 2023 no Estado de São Paulo. Este crescimento reforça a necessidade de ampliar os esforços de rastreamento e conscientização para todas as faixas etárias.

O papel do SUS e as expectativas para o futuro

O Sistema Único de Saúde (SUS) deve desempenhar um papel fundamental na ampliação do acesso ao teste FIT. O INCA planeja implementar, em breve, um protocolo nacional de rastreamento do câncer colorretal, com a oferta do exame para pessoas entre 50 e 75 anos. Esta medida tem potencial para aumentar significativamente as taxas de diagnóstico precoce no país.

No entanto, especialistas alertam que o sucesso dessa estratégia depende de uma ampla campanha de conscientização, que informe a população sobre a importância do exame e desmistifique o processo de coleta e análise das amostras.

Comparação com outros exames de rastreamento

O teste FIT destaca-se pela simplicidade e custo-benefício em comparação com outros exames, como a colonoscopia. Enquanto o FIT é um exame inicial e não invasivo, a colonoscopia, embora mais completa, é mais cara, invasiva e exige preparo prévio do paciente. A combinação de ambos os exames, no entanto, pode ser uma estratégia eficaz para reduzir a mortalidade por câncer colorretal.

Parâmetro Teste FIT Colonoscopia
Tipo de exame Não invasivo Invasivo
Custo Baixo Alto
Objetivo Rastreamento inicial Diagnóstico e tratamento

O que você pode fazer para se proteger?

Especialistas recomendam que qualquer pessoa com mais de 50 anos, ou com histórico familiar de câncer colorretal, converse com seu médico sobre a realização do teste FIT. Além disso, é essencial manter hábitos saudáveis, como uma dieta rica em fibras, prática regular de exercícios e redução do consumo de álcool e carne vermelha, que são fatores de risco para a doença.

A Visão do Especialista

O desconhecimento sobre o teste FIT aponta para uma necessidade urgente de investir em educação em saúde. Campanhas informativas, aliadas à ampliação do acesso pelo SUS, podem transformar o cenário atual e salvar milhares de vidas. O envolvimento de médicos, instituições de saúde e da sociedade como um todo será fundamental para superar as barreiras de informação e garantir que mais pessoas tenham acesso a diagnósticos precoces.

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