"Tinha que morrer essa desgraça", declarou a mãe ao ser interrogada, confirmando a brutalidade que culminou na morte do bebê de 1 ano e oito meses em Belo Horizonte na última segunda‑feira.
O padrasto, identificado pela Polícia Civil, teria espancado o pequeno até causar lesões no tórax e na cabeça, resultando em hemorragia interna que levou à morte.
Vizinhos relataram que a criança vivia em constante fome e ficava desorientada ao ver alguém se alimentar, enquanto o irmão de 4 anos também sofria maus‑tratos e longas ausências escolares.
Qual é o histórico de violência na família?
Denúncias anônimas já eram registradas há meses; o Conselho Tutelar e uma ONG governamental acompanhavam o caso, mas as medidas de proteção foram insuficientes.
A perícia do Instituto Médico Legal constatou que o bebê apresentava fraturas múltiplas e sangramento interno, além de indicar que a mãe estava em trabalho de parto no mesmo dia da morte.
Como a polícia conduziu a investigação?
Segundo o delegado Matheus Moraes Marques, o agressor saiu para comprar cocaína, retornou, deixou o bebê sob cuidados de um parente sem contato físico e, minutos depois, o encontrou engasgando.
- 06/04 – Violência física culmina na morte do bebê.
- 06/04 – Padrasto tenta levar a criança para a PM, sem sucesso.
- 06/04 – Corpo encaminhado à UPA Oeste; constatação de óbito há mais de uma hora.
- 09/04 – Prisão da mãe após perícia revelar conivência.
- 11/04 – Audiência de custódia marcada para o padrasto e a mãe.
O delegado descreveu a indiferença da mãe como "surpreendente", ressaltando que ela não demonstrou preocupação nem com o bebê recém‑nascido nem com o filho de 4 anos.
Qual o impacto na comunidade do Cabana do Pai Tomás?
O casal foi expulso do bairro devido ao envolvimento com tráfico de drogas, gerando tensão entre moradores que já temiam a presença de grupos criminosos na região oeste de BH.
Na audiência de custódia, o padrasto será indiciado por homicídio qualificado, enquanto a mãe responde por maus‑tratos e omissão, podendo permanecer presa até o julgamento.
O que dizem os especialistas em direitos da criança?
Advogados de infância apontam falhas sistêmicas no acompanhamento do Conselho Tutelar, que não conseguiu impedir a escalada da violência, e pedem revisão das políticas de proteção preventiva.
O caso reacendeu o debate nacional sobre violência doméstica, ressaltando a necessidade de mecanismos mais ágeis para retirar crianças de ambientes abusivos.
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