O vice-prefeito de Assis Brasil, Reginaldo Bezerra Martins (PT), de 61 anos, teve um protocolo de morte cerebral aberto no Hospital Santa Juliana, em Rio Branco, na segunda-feira, 18 de maio de 2026. O político sofreu um infarto na sexta-feira, 15, sendo transferido de helicóptero para a capital acreana e internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Após piora no quadro clínico, ele passou a respirar com auxílio de aparelhos, e os médicos iniciaram os procedimentos necessários para confirmar ou descartar a morte encefálica.

O que é o protocolo de morte cerebral?

O protocolo de morte cerebral é um conjunto de procedimentos médicos padronizados para determinar a perda irreversível das funções cerebrais. Esse diagnóstico é crítico, pois, segundo a legislação brasileira, a morte encefálica equivale à morte legal do indivíduo. Para concluir o protocolo, são realizados exames clínicos e complementares, que incluem:

  • Testes para verificar reflexos neurológicos;
  • Comprovação da ausência de fluxo sanguíneo cerebral por exames de imagem, como doppler transcraniano ou angiotomografia;
  • Confirmação de ausência de atividade elétrica cerebral por eletroencefalograma (EEG);
  • Exames adicionais para descartar causas reversíveis de coma, como intoxicações ou hipotermia.

O contexto clínico e os desafios do caso

Reginaldo Martins enfrentava uma sequência de complicações. Após o infarto, ele foi submetido a hemodiálise devido a alterações na função renal. Na segunda-feira, 18, apresentou um edema cerebral significativo, uma condição crítica que aumenta a pressão intracraniana e pode agravar os danos ao tecido cerebral. Além disso, relatos indicam que o político chegou a ficar cerca de 30 minutos sem sinais vitais antes de ser reanimado, o que pode ter contribuído para a piora do quadro.

O impacto emocional do contexto

O infarto de Reginaldo ocorreu apenas um dia após ele retornar de Sena Madureira, onde havia acompanhado o velório e enterro de seu pai, Sebastião Martins. O estresse emocional associado a essas circunstâncias pode ter sido um fator contribuinte para o evento cardíaco. Estudos mostram que situações de luto e estresse intenso podem aumentar o risco de infarto em indivíduos predispostos, especialmente aqueles com histórico de problemas cardiovasculares.

A importância do diagnóstico de morte cerebral

A confirmação de morte cerebral tem implicações éticas e legais importantes. No Brasil, a legislação permite que pacientes com morte encefálica sejam potenciais doadores de órgãos, desde que haja consentimento da família. No entanto, o processo é sensível e requer transparência para evitar equívocos e garantir o respeito à dignidade do paciente.

Requisitos para o diagnóstico no Brasil

O Conselho Federal de Medicina (CFM) estabelece critérios rigorosos para a declaração de morte cerebral. Entre eles estão:

  • Presença de coma não responsivo;
  • Ausência de reflexos de tronco encefálico;
  • Exames complementares realizados por dois médicos independentes.

A trajetória política de Reginaldo Martins

Reginaldo Martins foi eleito vice-prefeito de Assis Brasil em 2020, ao lado do prefeito Jerry Correia (PP), e reeleito para o novo mandato em 2024. Desde o início de sua gestão, destacou-se por atuar em iniciativas voltadas ao desenvolvimento social e econômico do município, localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Bolívia. Sua atuação na política local é amplamente reconhecida pela população.

O impacto na comunidade de Assis Brasil

A notícia da internação de Reginaldo Martins gerou comoção em Assis Brasil. A prefeitura divulgou uma nota oficial informando que o vice-prefeito estava recebendo todos os cuidados necessários. O afastamento de um líder político em situação crítica como esta também levanta questões sobre a continuidade da gestão pública e a necessidade de apoio emocional à comunidade.

Fatores de risco para infarto e prevenção

O infarto agudo do miocárdio, causa inicial da hospitalização de Reginaldo, é uma das principais causas de morte no Brasil. Entre os fatores de risco estão:

  • Hipertensão arterial;
  • Diabetes;
  • Tabagismo;
  • Obesidade;
  • Histórico familiar de doenças cardiovasculares.

A prevenção inclui adoção de hábitos saudáveis, como alimentação balanceada, prática regular de exercícios físicos, controle do estresse e acompanhamento médico periódico.

A Visão do Especialista

Casos como o de Reginaldo Martins evidenciam a complexidade do tratamento de pacientes em estado crítico, especialmente quando múltiplos sistemas do corpo estão comprometidos. A confirmação de morte cerebral, caso ocorra, pode abrir espaço para a discussão sobre a doação de órgãos, uma prática que salva vidas, mas que ainda enfrenta desafios culturais e logísticos no Brasil.

É fundamental que a população esteja atenta aos sinais de alerta para doenças cardiovasculares e busque atendimento médico ao menor indício de problema. Além disso, a conscientização sobre o protocolo de morte cerebral é essencial para garantir que as decisões médicas sejam compreendidas e respeitadas.

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