O Brasil está a poucos meses de tentar o primeiro lançamento orbital totalmente nacional. O microlançador MLBR, desenvolvido por um consórcio de cinco empresas, tem previsão de decolagem ainda em 2026 a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).
Com investimento de R$ 189 milhões da Finep, o projeto conta com apoio direto do MCTI e da AEB. A CENIC Engenharia lidera a iniciativa, coordenando a produção de um foguete de 12 m de altura e três motores de combustível sólido.
O veículo carregará até 40 kg de pequenos satélites, apesar de pesar 12 toneladas na rampa de lançamento. Essa relação carga/massa permite acesso a mercados de constelações de nanosatélites, que movimentam bilhões de dólares globalmente.
Qual é o objetivo estratégico do MLBR?
Transformar o Brasil em um país autossuficiente no acesso ao espaço. A autonomia reduz a dependência de lançadores estrangeiros e abre caminho para missões científicas e de telecomunicações.
Alcântara oferece a vantagem de estar próximo ao equador, proporcionando maior eficiência orbital. O local reduz o consumo de combustível em até 30 % em comparação com lançamentos de latitudes mais altas.
Historicamente, o Brasil já tentou voos orbitais em 1997, 1998 e 1999, mas falhas técnicas impediram o sucesso. A última tentativa, em parceria sul‑coreana, ocorreu em 2025, servindo de aprendizado para o MLBR.
Quais são os principais desafios técnicos?
Desenvolver motores de combustível sólido com confiabilidade comparable a grandes agências. Cada motor deve operar por 70 segundos, suportando vibrações e temperaturas extremas.
Integrar satélites de apenas 40 kg exige precisão de acoplamento e controle de atitude. A miniaturização de componentes eletrônicos é crucial para manter a missão dentro do orçamento.
O cronograma apertado demanda testes de voo, validação de software e certificação de segurança. Qualquer atraso pode adiar o lançamento para 2027, comprometendo metas de mercado.
Como a iniciativa pode impactar a economia e a ciência brasileira?
O mercado de lançamentos de pequenos satélites está avaliado em mais de US$ 5 bilhões até 2030. O MLBR posiciona o Brasil como fornecedor competitivo, atraindo clientes internacionais.
Tecnologias derivadas, como materiais compósitos e sistemas de telemetria, podem gerar novos setores industriais. Estima‑se a criação de cerca de 800 empregos diretos e 2 000 indiretos nas próximas cinco anos.
- Capacidade de carga útil: 40 kg
- Altura do foguete: 12 m
- Massa ao decolar: 12 t
- Propulsão: combustível sólido com 3 motores
- Custo total do projeto: R$ 189 mi
| Especificação | Valor |
|---|---|
| Altura | 12 m |
| Massa ao lançamento | 12 t |
| Carga útil | 40 kg |
| Tipo de propulsão | Combustível sólido |
| Custo total | R$ 189 mi |
Atualmente, a equipe está concluindo os testes estáticos dos motores e preparando a integração final dos satélites. O próximo passo será o ensaio de voo no CLA, previsto para o segundo semestre de 2026.
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