O câncer de ovário, conhecido como o "assassino silencioso" entre os tumores ginecológicos, é uma das doenças que mais desafiam a medicina devido aos seus sinais iniciais sutis e inespecíficos. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) estimam que o Brasil deverá registrar cerca de 7,3 mil novos casos anualmente entre 2026 e 2028, reforçando a urgência de conscientização sobre o tema, especialmente durante o Maio Azul, mês dedicado à luta contra essa doença.
O que é o câncer de ovário?
O câncer de ovário é o segundo tumor ginecológico mais incidente entre as mulheres brasileiras, atrás apenas do câncer de colo do útero. Ele se desenvolve quando células anormais nos ovários começam a se multiplicar de forma descontrolada, formando um tumor que pode se espalhar para outras partes do corpo.
A neoplasia pode ser classificada em três tipos principais: carcinoma epitelial, carcinoma de células germinativas e carcinoma de células estromais. O mais comum é o carcinoma epitelial, responsável por cerca de 95% dos casos. Apesar de menos frequentes, os outros tipos também merecem atenção, pois podem apresentar características distintas, incluindo idade de acometimento e comportamento da doença.
Sinais de alerta: por que o câncer de ovário é chamado de "silencioso"?
O câncer de ovário é conhecido por se desenvolver de forma silenciosa, com sintomas que frequentemente são confundidos com problemas gastrointestinais ou outras condições comuns. Os sinais iniciais incluem inchaço abdominal, dor pélvica, náuseas, alterações intestinais e fadiga persistente. No entanto, esses sintomas muitas vezes só se tornam evidentes em estágios mais avançados da doença.
De acordo com especialistas, é fundamental prestar atenção à persistência e frequência desses sinais. Qualquer mudança duradoura no padrão de funcionamento do corpo deve ser avaliada por um médico para um diagnóstico precoce.
Fatores de risco: o que pode aumentar a chance de desenvolver o câncer de ovário?
Embora a causa exata do câncer de ovário ainda não seja completamente compreendida, diversos fatores de risco foram identificados:
- Idade superior a 50 anos;
- Histórico familiar de câncer de ovário, mama ou cólon;
- Mutações nos genes BRCA1 e BRCA2;
- Endometriose;
- Obesidade e sedentarismo;
- Menarca precoce ou menopausa tardia;
- A ausência de gravidez ao longo da vida.
Por outro lado, estudos indicam que o uso prolongado de pílulas anticoncepcionais pode reduzir o risco de câncer de ovário em até 33%. Essa decisão, no entanto, deve ser sempre orientada por um médico, considerando os riscos e benefícios individuais.
Diagnóstico: por que é tão difícil identificar o câncer de ovário?
Ao contrário de outros tipos de câncer ginecológico, como o de colo do útero, que pode ser identificado precocemente por meio do exame de Papanicolau, não existe um exame de rastreamento específico e eficaz para o câncer de ovário.
O diagnóstico geralmente envolve uma combinação de exames clínicos, laboratoriais e de imagem. Em casos suspeitos, pode ser necessário realizar ultrassonografia transvaginal, tomografia computadorizada ou ressonância magnética. A confirmação do diagnóstico frequentemente requer uma avaliação cirúrgica.
Tratamento: individualização é a chave
O tratamento do câncer de ovário depende do tipo de tumor, do estágio da doença e das condições gerais de saúde da paciente. As opções incluem cirurgia, quimioterapia ou uma combinação de ambas. Em alguns casos, a radioterapia ou terapias-alvo podem ser indicadas.
Durante a cirurgia, o médico pode optar por remover um ou ambos os ovários, dependendo da extensão da doença e do desejo da paciente de preservar a fertilidade. Por isso, a decisão terapêutica deve ser personalizada e considerar tanto os aspectos clínicos quanto os emocionais e os planos de vida da mulher.
Prevenção e diagnóstico precoce: o que você pode fazer?
Embora não seja possível prevenir completamente o câncer de ovário, algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco:
- Manter uma alimentação equilibrada e praticar atividades físicas regularmente;
- Evitar o tabagismo;
- Consultar um médico regularmente para exames ginecológicos;
- Discutir com o médico os benefícios e riscos do uso de contraceptivos hormonais;
- Fazer testes genéticos, caso haja histórico familiar significativo de câncer de ovário ou de mama.
A importância do Maio Azul
O Maio Azul, mês de conscientização sobre o câncer de ovário, tem como objetivo esclarecer a população sobre os sinais, fatores de risco e a importância do diagnóstico precoce. Essa campanha é essencial para aumentar a conscientização e mobilizar ações que possam salvar vidas.
De acordo com a oncologista Marcela Bonalumi, da Oncoclínicas, "a detecção precoce é o maior desafio, mas também a maior aliada para aumentar as chances de sucesso no tratamento. Por isso, iniciativas como o Maio Azul são cruciais."
A Visão do Especialista
O câncer de ovário continua sendo um grande desafio para a saúde pública devido à sua complexidade e comportamento silencioso. A ausência de métodos eficazes de rastreamento faz com que o diagnóstico precoce seja raro, o que impacta diretamente nas taxas de sobrevida.
Para enfrentar essa realidade, é vital fortalecer as campanhas de conscientização, como o Maio Azul, e investir em pesquisas que possam aprimorar os métodos de diagnóstico e tratamento. Além disso, as mulheres devem ser incentivadas a realizar consultas regulares com seus médicos e a adotar hábitos saudáveis que possam minimizar fatores de risco.
A mensagem é clara: conheça seu corpo, esteja atenta a sinais persistentes e não hesite em buscar ajuda médica. A informação é a sua melhor aliada na luta contra o câncer de ovário.
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