China coloca a energia eólica offshore no centro da transição energética. Na manhã de 7 de abril de 2026, o parque marítimo Qiyuan, em Hainan, foi conectado à rede elétrica, marcando um novo marco na expansão das fontes renováveis chinesas.

O país já soma mais de 650 milhões de quilowatts de capacidade eólica total. Dados da Administração Nacional de Energia revelam um crescimento de 22,8 % em relação ao mesmo período de 2025, impulsionado sobretudo pelos projetos costeiros.
Qiyuan deverá gerar 1,5 bilhão de kWh de energia limpa por ano. O complexo contará com 22 turbinas de 10 MW e 20 unidades de 14 MW, evitando a queima de 467 mil toneladas de carvão e reduzindo 1,27 milhão de toneladas de CO₂.

Quais são as inovações tecnológicas que diferenciam o parque Qiyuan?
As turbinas de 14 MW são operadas pela primeira vez no mundo. O projeto usa perfuração direcional horizontal e levantamentos por drones para minimizar impactos no leito marinho.
A China quebrou recordes com turbinas de 20 MW e flutuantes de 16 MW. Estas unidades, com rotores de até 252 m, demonstram a capacidade de produzir energia em águas profundas.
A capacidade offshore chinesa já ultrapassa 47 milhões de quilowatts. Por cinco anos consecutivos, a China lidera o ranking global, detendo mais da metade da capacidade instalada mundial.
Como a cadeia produtiva chinesa sustenta esse crescimento?
Polos industriais especializados garantem suprimento de componentes. Em Yancheng (Jiangsu) a montagem de turbinas responde por cerca de 40 % da produção nacional, enquanto a fabricação de pás concentra 20 %.
- Montagem de turbinas: 40 % da capacidade nacional (Yancheng)
- Produção de pás: 20 % da capacidade nacional (Yancheng)
- Serviços de instalação e O&M em expansão nas costas de Guangdong
Projetos integrados de energia eólica e hidrogênio ganham força em Shantou. Estudos apontam a combinação de geração eólica offshore com produção de hidrogênio verde e amônia, criando clusters de alta tecnologia.
O 15º Plano Quinquenal prevê mais de 100 milhões de quilowatts offshore até 2030. Metas incluem a expansão para os mares de Bohai, Amarelo, Leste da China e Sul da China, com foco em águas profundas.
- Meta 2027: 60 MW offshore conectados
- Meta 2029: 80 MW offshore conectados
- Meta 2030: >100 MW offshore conectados
Qual o impacto ambiental e geopolítico dessa estratégia?
Cada megawatt adicional reduz a dependência de carvão e gás. A produção de Qiyuan equivale à economia anual de 467 mil toneladas de carvão, contribuindo para os compromissos climáticos da China no Acordo de Paris.
O avanço chinês pressiona Europa e EUA a acelerar suas próprias frotas eólicas. A liderança em turbinas de alta capacidade cria um novo padrão de competitividade no mercado global de equipamentos renováveis.
O governo reforça o apoio regulatório para projetos em águas profundas. Autoridades prometem simplificar licenças, padronizar processos e financiar pesquisas em flutuantes, garantindo um desenvolvimento ordenado.

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