Um ex-pastor da Igreja Batista da Lagoinha, Lucas Tiago de Carvalho Silva, foi alvo de investigação criminal por suposto assédio sexual a dois fiéis adolescentes de 16 e 17 anos, com medidas protetivas impostas pela 1ª Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente de Belo Horizonte.

Contexto histórico da Lagoinha

A Lagoinha, fundada na década de 1970, tornou‑se uma das maiores megacorporações evangélicas do Brasil, influenciando milhões de fiéis e ocupando posição de destaque nas transmissões televisivas e nas redes sociais.

Perfil do investigado

Lucas Tiago, 37 anos, exercia a liderança de adolescentes na unidade São Geraldo, na zona leste de Belo Horizonte, sendo responsável por grupos de estudo bíblico, cultos de jovens e aconselhamento espiritual.

Chronologia dos fatos

  • 27/01/2026 – Denúncia recebida pela liderança da Lagoinha.
  • 28/01/2026 – Ouvidoria das famílias e encaminhamento à polícia.
  • 15/04/2026 – Decisão judicial que impôs medidas protetivas.

Modo de atuação sobre a primeira vítima

Segundo relatos da mãe, o pastor criou um grupo de estudos de livros cristãos, evoluindo a conversa para o envio de imagens e vídeos explícitos, inclusive gravações do próprio autor em situação de nudez.

Abusos relatados pela segunda vítima

Em encontros na cozinha da igreja e sobre tatames de oração, o suspeito teria praticado toques invasivos, beijos no pescoço e sexo oral, usando a autoridade pastoral para isolar o adolescente.

Medidas protetivas e fundamentos legais

MedidaDescrição
Distância mínima500 metros das vítimas
Proibição de contatoQualquer meio físico ou digital
Restrição de acessoImpedimento de frequentar a unidade Lagoinha São Geraldo
ConsequênciaPrisão preventiva imediata em caso de descumprimento

A decisão está amparada na Lei Henry Borel (Lei nº 13.431/2017), que fortalece a proteção de crianças e adolescentes contra violência sexual.

Reação institucional da Lagoinha

A igreja declarou ação "imediata e responsável", afastando o pastor do cargo, ouvindo as famílias em menos de 24 horas e oferecendo apoio psicológico e jurídico.

Repercussão entre fiéis e comunidade

Famílias relataram pressão social, mensagens de culpabilização e tentativa de silenciar as denúncias, revelando um clima de intimidação dentro da congregação.

Impacto no mercado evangélico

Escândalos envolvendo lideranças religiosas têm causado queda de confiança nas megacorporações evangélicas, refletindo em menor participação em eventos ao vivo e queda nas doações digitais nos últimos trimestres.

Visão de especialistas em psicologia

Psicólogos apontam que o abuso de autoridade religiosa cria um "círculo de vulnerabilidade", onde adolescentes são mais propensos a aceitar comportamentos inadequados em nome de orientação espiritual.

Perspectiva jurídica

Advogados especializados em direito da criança destacam que a aplicação rigorosa da Lei Henry Borel sinaliza um endurecimento do combate a abusos dentro de instituições religiosas, estabelecendo precedentes para futuros processos.

A Visão do Especialista

O caso evidencia a necessidade de mecanismos de fiscalização interna nas organizações religiosas, bem como a importância de canais de denúncia seguros e independentes, para que a proteção de menores seja efetiva e não dependa exclusivamente da boa‑fé institucional.

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