A participação dos houthis na guerra no Irã pode redefinir o conflito, com possíveis ataques a navios internacionais no Mar Vermelho e no Golfo de Áden. A entrada na disputa levantou preocupações de que a milícia xiita volte a mirar seu poder de fogo também no Mar Vermelho e no Golfo de Áden, como fizeram no passado.

Os rebeldes houthi do Iêmen, aliados do Irã, romperam sua aparente contenção diante do conflito que atinge Teerã e dispararam dois ataques a mísseis contra Israel neste sábado (29/03) – sua primeira ofensiva desde o início do conflito.

A expectativa é que os houthi possam iniciar uma nova campanha para interromper o tráfego mercante no Estreito de Bab el-Mandeb, no extremo sul da Península Arábica, por onde a Arábia Saudita tem enviado milhões de barris de petróleo por dia desde o fechamento do Estreito de Ormuz. A missão naval Aspides, liderada pela União Europeia, vê risco de que a milícia houthi ataque navios internacionais no Mar Vermelho e no Golfo de Áden.

O que dizem os especialistas?

Os especialistas acreditam que a participação dos houthis pode gerar um novo cenário de pressões globais. "Tudo o que eles precisam fazer é atingir alguns navios que estejam passando. E isso levaria à paralisação de todo o transporte comercial pelo Mar Vermelho", disse Nabeel Khoury, ex-vice-chefe de missão da embaixada dos EUA no Iêmen.

A milícia já provou ser capaz de gerar disrupção na região ao atacar mais de 100 navios mercantes com mísseis e drones, afundar duas embarcações e matar quatro marinheiros durante o conflito entre Israel e Gaza, entre novembro de 2023 e janeiro de 2025.

Entenda o impacto

O Estreito de Bab el-Mandeb é um dos mais movimentados do comércio global de petróleo. Um quarto do comércio mundial de contêineres também passa por ali rumo ao Canal de Suez. Interromper o trânsito por Bab el-Mandeb força empresas de navegação a desviar seus navios pelo Cabo da Boa Esperança, aumentando significativamente os custos de frete globais.

Os ataques houthi a embarcações não apenas elevariam ainda mais os preços do petróleo, mas também desestabilizaria toda a segurança marítima. "O impacto não se limitaria ao mercado de energia, [...] mas desestabilizaria toda a segurança marítima", afirmou Ahmed Nagi, analista sênior do Iêmen no International Crisis Group.

O que acontece agora?

A situação é de grande incerteza e pode levar a uma escalada do conflito. "Se houver mais pressão sobre os iranianos, ou qualquer escalada, os houthis entrarão com força", disse Nagi.

Os EUA e Israel responderam com uma intensa campanha aérea contra áreas controladas pelos houthis no Iêmen, que matou a maior parte do gabinete aliado aos houthis em Sanaa. Um cessar-fogo foi acordado em outubro de 2025, interrompendo os ataques no Mar Vermelho.

A comunidade internacional deve estar atenta às desenvolvimentos na região e trabalhar para evitar uma escalada do conflito. A segurança marítima e a estabilidade da região dependem disso.

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