Três navios chineses cruzaram o Estreito de Ormuz após coordenação com as partes envolvidas, informou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China em coletiva de imprensa nesta terça-feira (31). O estratégico canal marítimo está praticamente fechado desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, em 28 de fevereiro.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que a China pede um cessar-fogo imediato, o fim dos combates e a restauração da paz e da estabilidade na região do Golfo. A travessia dos navios chineses é um desenvolvimento importante em meio ao conflito.
Dois navios de contêineres chineses atravessaram o estreito na segunda-feira (30), em uma segunda tentativa de deixar o Golfo, após uma primeira tentativa sem sucesso. As embarcações navegaram em formação próxima para fora do estreito e seguiram para águas abertas.
O que dizem os especialistas?
Rebecca Gerdes, analista de dados da Kpler, empresa proprietária do MarineTraffic, disse que os dois navios conseguiram cruzar com sucesso na segunda tentativa, marcando os primeiros contêineres a deixar o Golfo Pérsico desde o início do conflito. Essa travessia é um sinal de que o comércio pode começar a se recuperar.
A COSCO, grupo de navegação que opera as embarcações, não respondeu a pedidos de comentário. No entanto, a empresa havia informado anteriormente que havia retomado reservas para contêineres de carga geral de Ásia para países do Golfo.
O Irã lançou ataques contra embarcações no Golfo e ameaçou novos ataques, deixando centenas de navios e cerca de 20 mil tripulantes presos na região. As exportações de energia, incluindo petróleo bruto da Arábia Saudita e gás natural liquefeito do Catar, foram praticamente interrompidas.
Entenda o impacto
A maioria das embarcações que passou pelo canal transportava petróleo iraniano, com poucos navios de outros países conseguindo atravessar diariamente. No entanto, a travessia dos navios chineses pode ser um sinal de que o tráfego pode começar a se normalizar.
Um navio operado por empresa grega com destino à Índia, carregando petróleo saudita, também deixou o Golfo recentemente pelo estreito. Esse é um exemplo de como as empresas estão encontrando maneiras de contornar os obstáculos e manter o comércio em andamento.
O navio Marathi começou a transmitir sua posição na costa da Índia em 26 de março, após ter registrado sua última posição dentro do Golfo em 2 de março. Essa é uma prova de que as embarcações estão encontrando maneiras de navegar pelo estreito com segurança.
O que acontece agora?
A Dynacom, empresa grega que operou o navio Marathi, não respondeu imediatamente a pedidos de comentário. No entanto, a empresa é uma das poucas dispostas a arriscar a travessia pelo estreito, onde os riscos incluem minas flutuantes, mísseis e drones iranianos.
Empresas que fizeram a travessia usaram táticas como desligar os transponders de rastreamento AIS e navegar à noite para reduzir visibilidade. Essas táticas podem se tornar mais comuns à medida que mais embarcações tentam atravessar o estreito.
Dois navios indianos de gás liquefeito de petróleo (GLP) atravessaram o estreito no sábado, após outros dois que transportaram suprimentos críticos de gás de cozinha destinados à Índia nos últimos dias. Essa é uma prova de que o comércio está começando a se recuperar.
A situação no Estreito de Ormuz continua a ser monitorada de perto por especialistas e autoridades. A travessia dos navios chineses é um desenvolvimento importante que pode ter implicações para o comércio global.
Compartilhe essa notícia no WhatsApp com seus amigos. Fique por dentro das últimas notícias e desenvolvimentos sobre o Estreito de Ormuz.
Discussão