Na manhã de 31 de março de 2026, o vice‑prefeito Tião da Zaeli (PL) renunciou ao cargo e rompeu oficialmente com a prefeita Flávia Moretti (PL) em Várzea Grande. O anúncio foi feito durante uma sessão na Câmara Municipal, marcando a explosão pública de uma crise que até então permanecia nos bastidores.
A tensão interna no Executivo municipal vinha se acumulando desde a posse, em janeiro, quando divergências de gestão começaram a surgir. Fontes da Prefeitura relataram que a comunicação entre os dois líderes já mostrava sinais de desgaste nas primeiras semanas de governo.

O vice‑prefeito utilizou o plenário da câmara para oficializar o rompimento, deixando claro que não pretende mais exercer a função. O gesto foi interpretado como um divisor de águas dentro da sigla PL no município.
O que motivou a ruptura entre Zaeli e Moretti?
Segundo Zaeli, o alinhamento político da campanha não se traduziu em prática de gestão, comparando a relação a um casamento que entrou em crise já na lua de mel. Em entrevista, o ex‑vice destacou a falta de coesão nas decisões cotidianas.
Os conflitos teriam se intensificado a partir de dezembro, quando Flávia Moretti nomeou Silvio Fidélis para a Secretaria de Governo. A escolha foi vista como controversa por incluir um nome ligado ao ex‑prefeito Kalil Baracat (MDB), adversário nas eleições.

A nomeação de Fidélis foi apontada como um dos principais gatilhos da ruptura, ao introduzir na administração municipal um agente associado a um histórico de oposição. Essa movimentação gerou resistência entre os membros fundadores da bancada do PL.
Zaeli ainda criticou a presença de outros nomes ligados a antigos adversários no primeiro escalão da prefeita, acusando quebra de discurso de campanha. Ele afirmou que a vitória eleitoral foi obtida com voto de protesto contra esses mesmos adversários.
Quais são as consequências imediatas para a gestão municipal?
O ex‑vice‑prefeito declarou que não pretende montar oposição direta à prefeita, mas continuará à frente do PL em Várzea Grande. Seu objetivo será reforçar a sigla para as próximas eleições.
O PL planeja um programa de filiação massiva, visando ampliar sua base de apoio até as eleições de 2026. A estratégia inclui a realização de encontros regionais e a criação de comissões temáticas.
Zaeli descartou a possibilidade de concorrer a cargos eletivos neste ciclo, concentrando esforços na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso (Fecomércio‑MT). O dirigente ressaltou que pretende contribuir para a população a partir da entidade setorial.
Conforme a Lei Orgânica Municipal, a vacância do cargo de vice‑prefeito exige a convocação de nova eleição suplementar ou a nomeação de um substituto pelo prefeito, com aprovação da Câmara. O procedimento deve seguir o rito previsto no artigo 78 da referida lei.
- 30/03/2026 – Renúncia formal de Tião da Zaeli;
- 31/03/2026 – Anúncio público na Câmara Municipal;
- Até 15/04/2026 – Definição do substituto ou convocação para eleição suplementar;
- Junho/2026 – Possível revisão de secretarias e cargos estratégicos.
Analistas políticos apontam que a saída do vice‑prefeito pode gerar instabilidade administrativa, dificultando a aprovação de projetos e a execução de obras. A falta de consenso interno pode atrasar decisões importantes para a cidade.
O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso já foi notificado sobre a crise, podendo intervir caso haja risco de comprometimento da regularidade fiscal. A entidade tem competência para fiscalizar a gestão municipal em situações de desordem.
O que acontece agora?
A prefeitura de Várzea Grande deverá definir, nos próximos dias, o caminho a seguir para suprir a vaga de vice‑prefeito e estabilizar a administração. Enquanto isso, o PL de Zaeli seguirá atuando na oposição moderada, preparando sua estratégia para 2026. Compartilhe essa notícia no WhatsApp com seus amigos.
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