O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Senado a indicação de Jorge Messias para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal. A medida foi oficializada nesta quarta‑feira (1º/4) e inicia a etapa de avaliação pelo Poder Legislativo.

A aposentadoria de Barroso, ocorrida em outubro de 2025, abriu a 46ª vaga no tribunal máximo da Justiça brasileira. A Constituição estabelece que a escolha do presidente da República deve ser submetida à aprovação do Senado Federal.

O processo de aprovação inclui sabatina, parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e duas votações secretas. Até o momento, a indicação ainda não recebeu o parecer da Casa.

Como funciona a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça?

A CCJ convoca o candidato para responder a questionamentos de senadores sobre temas jurídicos, políticos e pessoais. A comissão é composta por 27 membros, mas todos os 81 deputados podem interpelar o indicado.

As sessões de avaliação costumam durar cerca de oito horas. Durante a entrevista, são abordados precedentes jurisprudenciais, posicionamentos sobre direitos fundamentais e a trajetória profissional do nomeado.

Ao final, a CCJ elabora um parecer de aprovação ou rejeição, decidido por maioria simples em votação secreta. Esse parecer encaminha o nome ao plenário do Senado para a votação final.

Quais são os marcos cronológicos da indicação até a posse?

Os principais passos são:

  • 1º abril – Envio da indicação ao Senado (confirmação oficial).
  • 2 a 3 abril – Agendamento da sabatina na CCJ.
  • 4 abril – Realização da entrevista e votação do parecer da comissão.
  • 5 abril – Votação secreta no plenário do Senado (necessária maioria absoluta, 41 votos).
  • Até 7 abril – Publicação no Diário Oficial da União, caso aprovado.
  • Em seguida – Cerimônia de posse no STF, com presença dos Três Poderes.

Historicamente, apenas cinco indicações foram rejeitadas em 133 anos de existência da Corte. As recusas ocorreram em 1894, há 129 anos, o que demonstra a raridade de um veto legislativo.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, manifestou reservas quanto ao ritmo da indicação. A falta de alinhamento prévio com a Casa tem gerado tensão entre Executivo e Legislativo.

Senador Flávio Bolsonaro lidera esforços para organizar oposição à nomeação. O objetivo declarado é impedir a aprovação de Messias e, assim, enfraquecer a influência do governo federal no Judiciário.

O que acontece se a indicação for aprovada?

Com a maioria absoluta no plenário, o nome de Jorge Messias será publicado no Diário Oficial da União. A partir daí, ele será oficialmente nomeado ministro do STF.

Na cerimônia de posse, representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário marcarão a transição. O novo ministro assumirá o cargo com mandato vitalício, sujeito apenas à aposentadoria compulsória aos 75 anos.

O cenário político permanecerá atento ao posicionamento de Messias nas decisões da Corte. Seu histórico como advogado‑geral da União pode influenciar debates sobre questões constitucionais relevantes.

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