Mato Grosso, maior produtor de grãos do Brasil, ocupa apenas o 14º lugar entre as 27 unidades da federação no Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026. O estudo, divulgado em 20 de maio de 2026 pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), revela que o estado obteve uma média de 61,38 pontos, abaixo da média nacional de 63,40, em uma escala que vai de 0 a 100.

O que é o Índice de Progresso Social (IPS)?
O IPS Brasil avalia a qualidade de vida nos 5.569 municípios do país com base em 57 indicadores sociais e ambientais, organizados em três dimensões principais:
- Necessidades Humanas Básicas: inclui acesso à água potável, saneamento e habitação adequada.
- Fundamentos do Bem-estar: cobre saúde, educação e sustentabilidade ambiental.
- Oportunidades: avalia inclusão social, direitos pessoais e acesso à educação superior.
O índice, que mede resultados e não apenas investimentos financeiros, utiliza dados de fontes públicas confiáveis como DataSUS, IBGE, Inep e MapBiomas.
Desafios de Mato Grosso no IPS
Mato Grosso, que abriga parte do chamado "arco do desmatamento da Amazônia Legal" e enfrenta desafios ambientais severos, foi um dos estados mais impactados negativamente na dimensão de Qualidade do Meio Ambiente. Segundo o estudo, o desmatamento acumulado e a concentração de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) contribuíram para o desempenho abaixo da média.
No entanto, o estado apresentou um ponto positivo: o componente "Moradia", que avalia a disponibilidade de habitação adequada com serviços básicos essenciais.
Comparação com outras unidades federativas
No Centro-Oeste, Mato Grosso também ficou atrás de seus vizinhos:
| Estado | IPS 2026 |
|---|---|
| Distrito Federal | 70,73 |
| Goiás | 64,52 |
| Mato Grosso do Sul | 64,14 |
| Mato Grosso | 61,38 |
Em termos nacionais, o Distrito Federal lidera, seguido por São Paulo (67,96), Santa Catarina (65,58) e Paraná (65,21). Na outra ponta, Pará (55,80), Maranhão (57,59) e Acre (58,03) registraram os índices mais baixos.
Desigualdades internas em Mato Grosso
O estudo também destacou disparidades significativas entre os municípios mato-grossenses. Enquanto Cuiabá, a capital, obteve 67,22 pontos, posicionando-se como a 10ª capital com melhor qualidade de vida no Brasil, outras cidades registraram desempenhos muito inferiores. Por exemplo:
| Município | IPS 2026 |
|---|---|
| Nova Nazaré | 48,27 |
| Campinápolis | 48,40 |
| Vila Bela da Santíssima Trindade | 48,49 |
| Colniza | 48,85 |
Por outro lado, entre as cidades com os melhores desempenhos estão Araguainha (67,13), Primavera do Leste (66,89) e Rondonópolis (66,50).
O papel do meio ambiente no desempenho do estado
A preservação ambiental continua sendo um dos principais desafios para Mato Grosso. A alta taxa de desmatamento na região da Amazônia Legal e as emissões de GEE têm impactos diretos sobre a dimensão ambiental do IPS. Sem políticas públicas eficazes para conter o desmatamento e promover a sustentabilidade, a recuperação do índice será limitada.
A degradação ambiental afeta não apenas a biodiversidade local, mas também influencia a qualidade da água e do ar, além de aumentar os riscos de desastres naturais, como secas e queimadas.
Avanços e o caminho a seguir
Apesar dos desafios, Mato Grosso tem potencial para melhorar. O estado é conhecido por sua robusta produção agropecuária, o que pode servir como base para um desenvolvimento mais sustentável, alinhando crescimento econômico a práticas ambientais responsáveis.
Além disso, investimentos em educação, saneamento básico e saúde podem contribuir para melhorar os indicadores de Necessidades Humanas Básicas e Fundamentos do Bem-estar, aumentando o IPS estadual e reduzindo as desigualdades regionais.
A visão do especialista
A posição de Mato Grosso no ranking do IPS Brasil 2026 é um reflexo dos desafios estruturais enfrentados pelo estado, em especial na área ambiental. Embora seja líder nacional em produção agrícola, a sustentabilidade deve ser uma prioridade para garantir o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e qualidade de vida.
Especialistas apontam que o fortalecimento de políticas públicas integradas, que combinem preservação ambiental com investimentos sociais, é essencial para reverter o cenário atual. Ações coordenadas entre governo, setor privado e sociedade civil podem fazer de Mato Grosso um modelo de desenvolvimento sustentável no Brasil.
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