O Projeto de Lei 896/2023, chamado de PL da misoginia, foi aprovado por unanimidade no Senado Federal em 10/04/2026 e segue para análise da Câmara dos Deputados.

PL da Misoginia: debate no Senado sobre crimes contra a mulher e liberdade de expressão.
Fonte: www.correiobraziliense.com.br | Reprodução

O texto altera a Lei 7.716/1989, que trata de crimes de racismo, para incluir condutas motivadas por ódio ou aversão às mulheres.

Segundo o projeto, misoginia é "qualquer atitude ou tratamento que cause constrangimento, humilhação, vergonha, medo ou exposição indevida por motivo de gênero".

PL da Misoginia: debate no Senado sobre crimes contra a mulher e liberdade de expressão.
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Quais são as principais mudanças propostas pelo PL?

A sanção prevista varia de 2 a 5 anos de reclusão, com multa, e o crime é inafiançável, imprescritível e exclui anistia ou indulto.

A ação penal será pública incondicionada, podendo ser iniciada de ofício pela polícia ou pelo Ministério Público, sem necessidade de representação da vítima.

O projeto ainda precisa ser aprovado pela Câmara e receber sanção presidencial para entrar em vigor.

  • 08/02/2023 – Apresentação do PL 896/2023 no Senado.
  • 15/03/2023 – Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprova parecer favorável.
  • 27/09/2023 – Votação plenária no Senado, aprovação unânime.
  • 10/04/2026 – Projeto encaminhado à Câmara dos Deputados para deliberação.

Como a proposta se insere no panorama legislativo de proteção à mulher?

O PL complementa a Lei Maria da Penha (11.340/2006) e a qualificadora de feminicídio já inserida no Código Penal.

Leis recentes, como a 13.772/2018 (violação da intimidade) e a 14.550/2023 (medidas protetivas ampliadas), também ampliam a proteção contra violência de gênero.

Além disso, os artigos 138, 139 e 140 do Código Penal (calúnia, difamação e injúria) já oferecem amparo contra ofensas à honra, inclusive de mulheres.

Quais são os argumentos dos críticos e dos defensores?

Críticos alertam que a definição ampla de misoginia pode gerar interpretações subjetivas e ameaçar a liberdade de expressão.

Defensores sustentam que a medida preenche um vazio jurídico, permitindo a punição de discursos e atos que incitam violência contra mulheres.

O debate também inclui preocupações sobre impactos no ambiente de trabalho, onde relações hierárquicas poderiam ser criminalizadas sem clareza normativa.

Qual o próximo passo e o que pode acontecer agora?

Na Câmara, o PL será incluído na pauta da Comissão de Constituição e Justiça e, posteriormente, submetido ao plenário para votação.

Se aprovado, o texto seguirá para sanção ou veto presidencial; caso haja emenda, o projeto retornará ao Senado para nova apreciação.

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