O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, protocolou na madrugada desta quinta-feira (28.mai.2026) no Senado uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa flexibilizar a carga horária de trabalho no Brasil. A medida surge em reação direta à aprovação, pela Câmara dos Deputados, de uma PEC que alterou o regime de trabalho de 6x1 para 5x2 e reduziu a jornada semanal de 44 para 40 horas.

O que propõe a nova PEC da jornada flexível?
A PEC apresentada por Rogério Marinho pretende permitir que empresas e trabalhadores negociem diretamente a carga horária semanal de trabalho, com base em acordos individuais e coletivos. Essa proposta busca oferecer maior flexibilidade às relações de trabalho, permitindo que empresas ajustem a escala de trabalho às suas necessidades específicas, enquanto trabalhadores teriam a possibilidade de negociar condições que melhor se adequem à sua realidade.
Segundo o texto apresentado, a proposta visa garantir que ambas as partes tenham maior liberdade para decidir sobre a jornada, desde que respeitados direitos constitucionais como descanso semanal remunerado e pagamento de horas extras.
Contexto histórico e aprovação da PEC 6x1
A PEC da jornada flexível foi protocolada poucas horas após a aprovação, em 27 de maio de 2026, de uma outra PEC na Câmara dos Deputados que alterou o regime de trabalho de 6 dias de trabalho por 1 de descanso (6x1) para 5 dias trabalhados por 2 de folga (5x2). A proposta também reduziu a carga horária semanal de 44 para 40 horas.
Na votação na Câmara, a PEC foi aprovada em dois turnos com ampla maioria: 472 votos a favor e 22 contrários no primeiro turno, e 461 votos favoráveis e 19 contrários no segundo turno. O texto foi então encaminhado ao Senado para análise e posterior votação.
Tramitação e apoio no Senado
Para que uma PEC seja protocolada no Senado, é necessário o apoio de pelo menos 27 parlamentares. No caso da nova PEC da jornada flexível, o documento contou com 36 assinaturas, número que demonstra um apoio significativo à proposta.
A PEC será analisada inicialmente pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, presidida atualmente por Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Caso aprovada pela CCJ, a medida seguirá para votação no plenário do Senado, onde precisará do apoio de pelo menos três quintos dos senadores em dois turnos de votação.
Argumentos a favor e contra a flexibilização
Os defensores da PEC argumentam que a medida trará maior dinamismo ao mercado de trabalho, permitindo que empresas e trabalhadores adaptem suas jornadas às necessidades individuais e do setor produtivo. Além disso, afirmam que a proposta pode gerar mais empregos e melhorar a competitividade das empresas brasileiras.
Por outro lado, críticos da proposta apontam que a flexibilização da jornada pode precarizar as condições de trabalho e enfraquecer os direitos trabalhistas. Eles argumentam que a negociação direta entre empresas e trabalhadores pode colocar os empregados em posição de desvantagem, especialmente em casos de menor poder de barganha.
Impactos no mercado e na legislação trabalhista
Se aprovada, a PEC da jornada flexível representará uma mudança significativa no equilíbrio das relações de trabalho no Brasil. Atualmente, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece um teto de 44 horas semanais e regula a forma como as horas extras devem ser remuneradas. A nova proposta, ao permitir acordos diretos, pode alterar profundamente esse modelo.
Especialistas apontam que a PEC pode ter um impacto direto sobre a geração de empregos e a produtividade, mas também alertam para os desafios de regulamentação e fiscalização que podem surgir caso a medida seja implementada.
Repercussão política e social
A apresentação da PEC gerou intensa discussão no meio político e na sociedade. Sindicatos e entidades trabalhistas criticaram a proposta, classificando-a como um retrocesso nos direitos dos trabalhadores. Por outro lado, entidades empresariais e setores da indústria manifestaram apoio, destacando os benefícios econômicos da flexibilização.
O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), que já havia manifestado oposição à PEC aprovada na Câmara, afirmou que a nova proposta do Senado busca corrigir o que ele chamou de "injustiça" da medida anterior. Segundo ele, a redução da jornada semanal para 40 horas pode prejudicar a competitividade de empresas brasileiras.
Dados comparativos: Jornadas de trabalho no Brasil e no mundo
Para contextualizar a discussão, vale observar como o Brasil se posiciona em relação a outros países quando o assunto é jornada de trabalho:
| País | Jornada Semanal (média) | Regime Comum |
|---|---|---|
| Brasil | 44 horas (atual) | 6x1 |
| Alemanha | 35 horas | 5x2 |
| Estados Unidos | 40 horas | 5x2 |
| Japão | 40 horas | 5x2 |
Com a possível aprovação das novas PECs, o Brasil poderia se alinhar mais aos padrões internacionais em termos de carga horária, mas a questão da flexibilização ainda é vista com cautela em diversos países por conta de suas implicações sociais.
A Visão do Especialista
Especialistas destacam que a tramitação simultânea de duas PECs relacionadas à jornada de trabalho traz à tona um debate crucial sobre a modernização das relações trabalhistas no Brasil. Enquanto a PEC da redução da jornada para 40 horas já avança no Senado, a proposta de flexibilização pode dividir opiniões e atrasar o processo legislativo.
O principal desafio será equilibrar a busca por competitividade econômica e produtividade com a manutenção de direitos trabalhistas. A implementação de uma jornada flexível exigirá um reforço na fiscalização para garantir que os trabalhadores não sejam prejudicados em negociações individuais.
O desfecho desse processo será determinante para o futuro do mercado de trabalho brasileiro, podendo influenciar diretamente a qualidade de vida dos trabalhadores e a capacidade das empresas de se adaptarem a um cenário econômico em constante mudança.
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