O índice de abandono do esquema vacinal entre crianças atingiu 12% em 2025, um aumento preocupante em relação aos 4% registrados no ano anterior. O dado, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com o Unicef, destaca um desafio global para garantir que as crianças completem todas as doses de imunização, especialmente contra doenças graves como difteria, tétano e coqueluche (DTP). Apesar de avanços pontuais na cobertura vacinal inicial, o cenário reforça a necessidade de estratégias eficazes para evitar descontinuidade no processo de imunização.
O que é a taxa de abandono vacinal?
A taxa de abandono vacinal refere-se ao percentual de crianças que iniciam o esquema de vacinação, mas não completam todas as doses recomendadas. No caso da vacina tríplice bacteriana (DTP), o foco está entre a primeira dose (DTP1) e a terceira dose (DTP3). Em 2025, 6,2 milhões de crianças em todo o mundo iniciaram o esquema, mas não o finalizaram, elevando o índice de abandono para 12%.
Esse aumento é significativo porque compromete a proteção coletiva contra doenças altamente contagiosas e potencialmente fatais. A imunização incompleta deixa lacunas na barreira imunológica da população, permitindo a reintrodução e disseminação de patógenos.
Por que o abandono vacinal está aumentando?
Especialistas apontam uma combinação de fatores para o aumento da taxa de abandono. Entre os principais estão:
- Desinformação: A propagação de fake news e movimentos antivacina desestimula muitos pais a completarem o esquema vacinal.
- Barreiras logísticas: Em algumas regiões, a falta de acesso a postos de saúde e a dificuldade de transporte dificultam o retorno para doses subsequentes.
- Desafios econômicos: Crises econômicas forçam famílias a priorizar outras necessidades em detrimento da saúde preventiva.
- Falta de campanhas educativas: A ausência de programas consistentes para informar a população sobre a importância de completar o esquema vacinal contribui para o abandono.
Impactos globais e regionais
Em termos globais, houve uma leve melhora na cobertura da primeira dose da DTP, que subiu de 89% para 90% entre 2024 e 2025. No entanto, a cobertura da terceira dose estagnou em 85%. Já o número de crianças sem nenhuma vacinação ("dose zero") caiu de 14,2 milhões para 13,5 milhões no mesmo período, uma redução de 745 mil.
Nas Américas, a primeira dose da DTP teve um avanço, passando de 90% para 92%, enquanto a terceira dose permaneceu estável em 86%. Apesar disso, a região ainda contabiliza 1,1 milhão de crianças sem qualquer imunização e 709 mil com vacinação parcial. Esses números reforçam a necessidade de esforços regionais coordenados para alcançar a meta de cobertura vacinal de 90% estabelecida pela Agenda de Imunização 2030.
O Brasil no contexto internacional
O Brasil apresentou resultados positivos no combate à "dose zero". Entre 2024 e 2025, o país reduziu em 204 mil o número de crianças sem nenhuma vacinação, alcançando a terceira maior redução global, atrás apenas do Sudão e da Índia. No ranking das Américas, foi o país que mais diminuiu essa estatística no período.
Além disso, o Brasil teve o segundo maior aumento mundial na cobertura da primeira dose da vacina DTP, com um salto de 19 pontos percentuais, ficando atrás apenas da Líbia. Esses avanços demonstram que, apesar dos desafios, ainda existem ações eficazes sendo implementadas em nível nacional.
O papel da vacinação contra o HPV no Brasil
Outro destaque nacional foi a vacinação contra o HPV. Em 2025, a cobertura da dose final entre meninas chegou a 86%, um dos índices mais altos das Américas, superando países como Canadá e Estados Unidos, e ficando atrás apenas de Cuba (94%). Essa conquista é resultado de campanhas específicas e da inclusão da vacina no calendário nacional de imunização.
O que precisa ser feito para reduzir a taxa de abandono?
Garantir que as crianças completem o esquema vacinal é essencial para prevenir surtos de doenças evitáveis por vacinas. Algumas estratégias podem ser implementadas para reverter o aumento da taxa de abandono:
- Fortalecimento das campanhas de conscientização: Informar sobre a importância da vacinação e desmentir fake news é crucial.
- Melhoria no acesso aos serviços de saúde: Ampliar a rede de postos de vacinação, especialmente em áreas remotas, pode facilitar o acesso às doses subsequentes.
- Incentivos para a vacinação: Oferecer benefícios como transporte gratuito ou folgas no trabalho para que os pais possam levar seus filhos para vacinar.
- Monitoramento ativo: Implementar sistemas de rastreamento para lembrar os responsáveis sobre as próximas doses.
A Visão do Especialista
O aumento da taxa de abandono vacinal entre crianças é um alerta global que exige ações coordenadas de governos, organizações internacionais e da sociedade civil. Embora o Brasil tenha registrado avanços importantes, a situação global ainda é preocupante. A disseminação de informações corretas sobre a imunização, o fortalecimento do acesso aos serviços de saúde e a ampliação das campanhas educativas são fundamentais.
Além disso, é imprescindível que os países invistam em sistemas de vigilância epidemiológica e em estratégias regionais para aumentar a adesão às vacinas. A imunização infantil é uma das ferramentas mais eficazes para prevenir doenças, salvar vidas e reduzir os custos com saúde pública. O combate ao abandono vacinal deve ser uma prioridade para garantir um futuro mais saudável para as próximas gerações.
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