A hipertensão arterial, conhecida popularmente como pressão alta, é um problema de saúde pública crescente no Brasil. No Espírito Santo, a situação é alarmante: cerca de 1,1 milhão de pessoas convivem com a doença, o equivalente a quase 30% da população do estado, segundo dados do Ministério da Saúde. Essa condição silenciosa é responsável por mais de 50% das mortes causadas por doenças cardiovasculares no país, um número que reforça a necessidade de conscientização e ações preventivas.
O que é a hipertensão e por que ela é perigosa?
Hipertensão é a elevação persistente da pressão arterial acima dos valores normais, considerados 120/80 mmHg. Quando os níveis ultrapassam 140/90 mmHg, considera-se que o indivíduo é hipertenso. Desde 2025, as diretrizes brasileiras incluíram o conceito de "pré-hipertensão" para pessoas com pressão arterial de 12/8 mmHg, o que amplia o contingente da população sob risco.
O perigo da hipertensão está relacionado ao fato de que, na maioria dos casos, ela não apresenta sintomas claros até que atinja níveis muito elevados. Isso pode levar a complicações graves, como Acidente Vascular Cerebral (AVC), infarto, insuficiência cardíaca, doença renal crônica e até perda da visão.
Fatores de risco associados à hipertensão
A hipertensão não ocorre de forma isolada. Existem diversos fatores de risco que contribuem para o seu desenvolvimento, incluindo:
- Obesidade: O excesso de peso sobrecarrega o coração e aumenta a pressão arterial.
- Dieta rica em sódio: O consumo excessivo de sal é um dos principais fatores de risco.
- Falta de atividade física: O sedentarismo reduz a capacidade do coração de bombear o sangue de forma eficiente.
- Uso de álcool e tabaco: Esses hábitos aceleram o processo de endurecimento das artérias.
- Estresse: A exposição prolongada ao estresse pode contribuir para o aumento da pressão arterial.
A hipertensão no Espírito Santo: um problema crescente
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), em 2025 foram registradas 713 internações relacionadas à hipertensão no sistema público de saúde do Espírito Santo, um aumento de 17,2% em relação a 2024, quando foram notificadas 608 internações. Esse aumento reflete não apenas o avanço da doença, mas também a ampliação da cobertura de atenção primária, que possibilita maior detecção de casos.
Impacto nos jovens e crianças
Um dos aspectos mais preocupantes é o crescimento de casos de hipertensão entre jovens e crianças. A cardiologista Tatiane Emerich alerta que fatores como sedentarismo, obesidade e má alimentação estão contribuindo para diagnósticos cada vez mais precoces. Estudos mostram que adolescentes e crianças estão mais expostos a hábitos não saudáveis, como consumo de alimentos ultraprocessados e uso excessivo de dispositivos eletrônicos, que reduzem a prática de atividades físicas.
O perfil da hipertensão como uma "doença silenciosa"
Um dos maiores desafios no combate à hipertensão é o fato de que ela é uma doença silenciosa. Muitos pacientes só percebem que têm pressão alta quando apresentam sintomas graves, como dores de cabeça intensas, tonturas e dores no peito — sinais que geralmente aparecem quando a pressão já está perigosamente alta, acima de 160/100 mmHg.
O cardiologista Emilio do Rosário Júnior destaca que, globalmente, apenas um terço das pessoas com hipertensão está em tratamento, e nem todas conseguem manter a doença controlada. Isso reforça a importância do diagnóstico precoce e da adesão ao tratamento.
A importância do diagnóstico precoce
Para adultos, recomenda-se a aferição regular da pressão arterial como parte de check-ups médicos anuais. No caso de crianças, a Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que a pressão comece a ser monitorada a partir dos três anos de idade, especialmente em crianças com fatores de risco, como histórico familiar de hipertensão ou obesidade.
Novas diretrizes e valores de referência
De acordo com a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025, os valores normais de pressão arterial foram revisados. A pressão ideal deve ser inferior a 12/8 mmHg, enquanto valores iguais ou superiores a 14/9 mmHg continuam sendo classificados como hipertensão, dividida em estágios 1, 2 e 3, dependendo da gravidade.
Como prevenir a hipertensão?
A prevenção da hipertensão envolve mudanças no estilo de vida e hábitos saudáveis. Algumas recomendações incluem:
- Reduzir o consumo de sal na dieta.
- Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, vegetais e alimentos naturais.
- Praticar atividades físicas regularmente.
- Evitar o consumo excessivo de álcool e abandonar o tabagismo.
- Reduzir o estresse por meio de técnicas de relaxamento, como meditação e yoga.
Consequências da falta de tratamento
Quando não tratada, a hipertensão pode ter consequências devastadoras. Entre os principais riscos estão o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, insuficiência renal crônica, danos à retina (com risco de cegueira) e aumento na probabilidade de doenças neurodegenerativas.
A Visão do Especialista
O cenário da hipertensão no Espírito Santo reflete uma realidade que exige atenção por parte da população, profissionais de saúde e gestores públicos. O aumento no número de casos deve ser encarado como um alerta para repensarmos nossos hábitos de vida e priorizarmos a prevenção.
Segundo o cardiologista Werther Mônico Rosa, "investir em campanhas de conscientização e ampliar o acesso à atenção primária são ações fundamentais para reverter essa tendência". Além disso, a participação ativa da população no acompanhamento médico regular e a incorporação de hábitos saudáveis são indispensáveis para combater a hipertensão e reduzir seus impactos.
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