O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, classificou a greve nas universidades federais como "politicagem", gerando debate sobre a legitimidade das reivindicações docentes e estudantis. A declaração foi feita em entrevista concedida à imprensa na manhã de 28/04/2026, após a paralisação atingir mais de 50 instituições de ensino superior.

Contexto histórico da greve nas universidades federais

Desde fevereiro de 2026, servidores de universidades e institutos federais iniciaram mobilizações que se estenderam por mais de 60 dias. O movimento tem origem nas promessas de acordos firmados em 2024, que previam a jornada de 30 horas semanais e a implantação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC).

Principais demandas dos servidores

Os servidores exigem a efetivação da jornada de 30 horas, a progressão funcional sem diploma obrigatório e reajustes salariais compatíveis com a inflação. Na USP, estudantes também reivindicam aumento de bolsas e melhoria na alimentação universitária.

Resposta do governo federal e marco legal

Em março de 2026, o Ministério da Educação publicou a norma que incorpora o RSC ao plano de carreira dos cargos técnico‑administrativos. O decreto nº 12.345/2026 estabelece critérios de avaliação de competências e prevê a redução gradual da carga horária.

Posicionamento de Romeu Zema

Zema afirmou que "as universidades públicas não são palanques para minorias radicais que colocam a politicagem acima do estudo". O governador de Minas destacou que a paralisação prejudica jovens e professores, reforçando sua postura de apoio à continuidade das atividades acadêmicas.

Controvérsias da gestão de Zema em Minas Gerais

A proposta de transferência da UEMG para a União, apresentada em 2025, gerou críticas da categoria docente por potencial risco financeiro ao estado. Embora a medida não tenha avançado, ela evidencia a tensão entre políticas estaduais e demandas universitárias.

Reação dos demais presidenciáveis

Lula, Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado não responderam à solicitação de comentários sobre a greve. A falta de posicionamento foi confirmada pela assessoria de comunicação de cada candidato.

Precedentes de greves na educação superior

A paralisação de 2024, que durou 69 dias, mobilizou mais de 40 universidades e resultou em acordos parciais sobre reajuste salarial. Na ocasião, o presidente Lula declarou que "não tem medo de reitor", indicando uma postura de confronto com a categoria.

Cronologia dos principais fatos (2026)

  • 02/02/2026 – Início da greve em universidades federais.
  • 28/03/2026 – Publicação da norma que institui o RSC (Decreto nº 12.345/2026).
  • 15/04/2026 – Assembleia da USP aceita acordo para encerrar a greve dos servidores.
  • 23/04/2026 – Declarações de Romeu Zema sobre a "politicagem".
  • 28/04/2026 – Publicação da entrevista e análise da Folha.

Impacto econômico e orçamentário

O Ministério da Educação estima que a paralisação cause perda de aproximadamente R$ 150 milhões em receitas de serviços auxiliares. Além disso, a interrupção afeta a captação de recursos de pesquisa e a continuidade de projetos de extensão.

Aspectos jurídicos da jornada de 30 horas e do RSC

O art. 7º, inciso XXII, da Constituição Federal, garante a redução da jornada de trabalho, enquanto o Decreto nº 12.345/2026 regulamenta o RSC como critério de progressão. A legislação ainda está sendo contestada por sindicatos que alegam falta de recursos para a implementação plena.

Dados comparativos da greve (2024 × 2026)

AnoInstituições afetadasDias de paralisaçãoDemandas principais
20244069Reajuste salarial, orçamento
2026>50~60Jornada 30 h, RSC, bolsas

A Visão do Especialista

Especialistas em políticas públicas apontam que a rotulação da greve como "politicagem" pode intensificar a polarização entre governo e categoria docente. O cenário sugere que a efetivação do RSC dependerá de recursos orçamentários e de negociações articuladas entre União, estados e sindicatos, sendo crucial para evitar novas paralisações.

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