No contexto de uma crise de saúde pública em Belo Horizonte, a diretora de Promoção à Saúde e Vigilância Epidemiológica da cidade, Tatiani Fereguetti, será a entrevistada do programa EM Minas neste sábado (2 de maio). A pauta central será o estado de emergência decretado em abril pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) devido ao aumento expressivo nos casos de doenças respiratórias agudas graves e a preocupante baixa cobertura vacinal. A entrevista será transmitida às 19h05 na TV Alterosa e no YouTube do Portal Uai.

Por que Belo Horizonte está em estado de emergência?
O estado de emergência foi decretado em 10 de abril de 2026 como uma resposta ao aumento alarmante de casos de doenças respiratórias agudas graves (SRAG) na capital mineira. Desde janeiro, o número de atendimentos hospitalares relacionados a essas patologias dobrou, sobrecarregando o sistema de saúde pública, já pressionado por demandas regulares. A previsão inicial era de que o pico de casos ocorresse entre 19 de abril e 2 de maio.
Segundo dados da PBH, a disseminação de doenças respiratórias como a gripe e a COVID-19 tem sido exacerbada pela baixa adesão às campanhas de vacinação, o que levanta um alerta para a necessidade de maior engajamento da população.
A situação vacinal em Belo Horizonte
De acordo com Tatiani Fereguetti, a campanha de imunização contra a influenza foi iniciada em 23 de março de 2026. Apesar disso, a cobertura vacinal para o grupo prioritário, que inclui crianças, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades, atingiu apenas 39% até o momento, muito abaixo da meta mínima de 90% estabelecida pelas autoridades de saúde.
Essa baixa adesão preocupa especialistas, pois a vacinação é uma das formas mais eficazes de prevenir complicações graves associadas a doenças respiratórias. Em um cenário de aumento expressivo de casos, a baixa cobertura pode agravar ainda mais a pressão sobre o sistema de saúde.
Dados que reforçam o alerta
| Fator | Número |
|---|---|
| Aumento de casos de SRAG desde janeiro | 100% |
| Início da campanha de vacinação contra influenza | 23 de março de 2026 |
| Meta de cobertura vacinal para o grupo prioritário | 90% |
| Cobertura vacinal atual | 39% |
A importância da vacinação para conter surtos
Especialistas em saúde pública reiteram que a vacinação é uma ferramenta crucial para conter surtos de doenças respiratórias. Ela não apenas protege os indivíduos vacinados, mas também reduz a transmissão comunitária, protegendo os mais vulneráveis, como as crianças pequenas e os idosos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma cobertura vacinal de pelo menos 75% para alcançar a imunidade coletiva e prevenir surtos.
No entanto, fatores como desinformação, desinteresse e dificuldades de acesso aos postos de vacinação têm contribuído para os baixos índices de imunização em Belo Horizonte e no Brasil como um todo.
Como a cidade está se preparando?
A PBH tem adotado diferentes estratégias para mitigar os efeitos da crise sanitária. Entre as medidas estão o aumento do número de leitos hospitalares para pacientes com SRAG, a intensificação das campanhas de conscientização sobre a vacinação e a ampliação dos pontos de imunização em regiões estratégicas da cidade.
Além disso, a diretora Tatiani Fereguetti destacou a importância de medidas de prevenção individual, como o uso de máscaras em locais fechados, a higienização frequente das mãos e o isolamento social em caso de sintomas gripais.
Doenças respiratórias em alta: o que está acontecendo?
O aumento dos casos de doenças respiratórias em Belo Horizonte reflete uma tendência nacional observada nos últimos anos. A sazonalidade, associada a fatores como mudanças climáticas e baixa adesão à vacinação, desempenha um papel importante nessa dinâmica.
Além disso, especialistas apontam que a circulação simultânea de diferentes vírus respiratórios, como o influenza e o VSR (vírus sincicial respiratório), amplifica o risco de coinfecções, que podem resultar em quadros clínicos mais graves, principalmente em populações vulneráveis.
Como a população pode se proteger?
A melhor forma de prevenir doenças respiratórias é adotar hábitos de higiene e buscar a imunização. Abaixo, listamos algumas medidas recomendadas por especialistas:
- Vacinação: Verifique o calendário de vacinação e atualize as doses necessárias.
- Higiene pessoal: Lave as mãos frequentemente com água e sabão ou use álcool em gel.
- Uso de máscara: Principalmente em locais fechados e com grande circulação de pessoas.
- Boa ventilação: Mantenha os ambientes bem ventilados.
- Isolamento: Caso apresente sintomas gripais, evite contato com outras pessoas e procure orientação médica.
O papel da comunicação na saúde pública
A entrevista com Tatiani Fereguetti no programa EM Minas é um exemplo de como a comunicação desempenha um papel crucial na saúde pública. Ao fornecer informações claras e baseadas em evidências, veículos de comunicação ajudam a combater a desinformação e incentivam a adesão a medidas preventivas, como a vacinação.
O envolvimento da mídia também é essencial para pressionar as autoridades a implementarem políticas públicas eficazes e garantir que a população tenha acesso às informações necessárias para sua proteção.
A Visão do Especialista
O aumento dos casos de doenças respiratórias em Belo Horizonte é um reflexo claro do impacto da baixa cobertura vacinal e da circulação de vírus respiratórios em um contexto de vulnerabilidade sazonal. Apesar dos esforços da Prefeitura e das campanhas de conscientização, é fundamental que a população entenda que a vacinação não é apenas uma questão individual, mas também coletiva. Cada pessoa imunizada contribui para a proteção de toda a comunidade.
O estado de emergência em Belo Horizonte deve ser um chamado à ação para outras cidades e estados brasileiros, que enfrentam desafios semelhantes. Políticas públicas robustas, aliadas à educação da população, são essenciais para evitar colapsos no sistema de saúde e salvar vidas.
É imprescindível que os governos, em todos os níveis, intensifiquem os esforços para facilitar o acesso à vacinação e combater a desinformação. Já a sociedade civil deve se conscientizar de que a prevenção é o melhor caminho para superar crises sanitárias.
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