Feminicídio é um crime evitável que cobra a vida de milhares de brasileiras a cada ano. Em 2025, o Ministério da Justiça registrou 1.470 assassinatos de mulheres, o maior número desde a tipificação da prática na Lei 13.104/2015.

O aumento da violência letal reflete falhas estruturais no sistema de proteção. Mais de 1,1 milhão de processos envolvendo agressão contra a mulher foram abertos no Judiciário em 2025, com 621 mil medidas protetivas concedidas.
O acesso a serviços de acolhimento ainda é desigual. Dos 2.617 pontos de atendimento do 180, a maioria concentra‑se nas capitais, deixando municípios pequenos sem apoio especializado.
Quais são os números que alarmam o país?
Os dados revelam a dimensão da epidemia. Segundo o DataSenado, 3,7 milhões de brasileiras sofreram violência em 2025:
- 71 % foram agredidas na presença de terceiros;
- 40 % tiveram testemunhas que não intervieram;
- 57 % buscaram apoio familiar, 53 % na Igreja e 52 % entre amigos;
- 28 % recorreram à Polícia Militar ou à Delegacia da Mulher; 11 % acionaram o 180.
O ódio digital alimenta a cultura do feminicídio. Estudo da NetLab (2024) identificou 137 canais misóginos no YouTube, 89 deles atacando feministas, e 80 % desses conteúdos recebem monetização.
Desacreditar a voz da mulher dificulta a denúncia. Perguntas como "Tem certeza?" ou "O que você fez?" são frequentes em atendimentos, transformando a dor em sentença e afastando vítimas do sistema.
Como a legislação pode ser efetiva?
A Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio são marcos avançados. Contudo, sua aplicação ainda encontra barreiras burocráticas e falta de recursos nos municípios.
Municípios sem secretarias de políticas para as mulheres carecem de poder institucional. Essa ausência impede a coordenação de serviços de prevenção, acolhimento e monitoramento.
Medidas protetivas de urgência ainda são insuficientes para garantir segurança. Em 2025, foram emitidas 621.202 ordens, mas a efetividade depende da capacidade de cumprimento local.
O que está sendo feito agora?
Governo federal propôs aumento de 15 % no orçamento da rede de atendimento. Projetos piloto em 50 cidades visam ampliar delegacias da mulher e centros de referência.
Organizações da sociedade civil intensificam campanhas de conscientização. ONGs como a Rede de Mulheres contra a Violência realizam treinamentos para policiais e profissionais de saúde.
Meios de comunicação têm responsabilidade de retratar a violência sem sensacionalismo. Cobertura equilibrada pode mudar a percepção pública e reduzir a culpabilização da vítima.
Como a sociedade pode contribuir?
Cidadãos podem denunciar agressões e apoiar vítimas. O número 180 permanece gratuito e disponível 24 horas; denúncias anônimas são essenciais para romper o silêncio.
É imprescindível pressionar autoridades por políticas públicas efetivas. Exigir transparência nos gastos e na execução de programas salva vidas.
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