Maiara Cristina de Lima, Miss Paraná de 31 anos, morreu subitamente em 19/04/2026 por infarto agudo do miocárdio, apesar de não apresentar histórico de doenças. O caso chocou o Brasil e trouxe à tona a realidade dos infartos silenciosos em jovens aparentemente saudáveis.

Mulher jovem deitada em uma ambulância com um médico ao lado, com uma expressão de dor no rosto.
Fonte: www.em.com.br | Reprodução

Contexto histórico do infarto precoce no Brasil

Nos últimos 20 anos, a mortalidade por infarto em indivíduos abaixo de 40 anos aumentou 15% segundo o Ministério da Saúde. Dados do DATASUS revelam que, em 2006, apenas 4,2% dos casos de infarto ocorridos eram em pacientes menores de 40 anos; em 2025, esse percentual subiu para 6,8%.

Incidência por faixa etária (2020‑2025)

IdadeCasos de Infarto (mil)Taxa por 100 mil habitantes
18‑291,20,7
30‑393,51,9
40‑499,85,3
50‑5927,414,6

Genética e dislipidemia familiar

Condições hereditárias, como a hipercolesterolemia familiar, são responsáveis por até 25% dos infartos em jovens. Mutação nos genes LDLR, APOB ou PCSK9 eleva o colesterol LDL já na infância, promovendo placas ateroscleróticas precoces.

Fatores de risco não genéticos

Hipertensão arterial sistêmica, tabagismo precoce e uso de substâncias estimulantes intensificam o risco cardiovascular.

  • Hipertensão não diagnosticada em 30% dos casos jovens.
  • Consumo de cocaína ou anfetaminas aumenta a probabilidade de espasmo coronariano em 4 vezes.
  • Estresse crônico associado a alterações da coagulação sanguínea.

Sintomas atípicos e o "infarto silencioso"

Jovens podem apresentar apenas dispneia súbita, suor frio ou náuseas, sem a clássica dor torácica. Essa apresentação "silenciosa" dificulta o diagnóstico precoce e eleva a taxa de mortalidade.

Rastreamento precoce: exames recomendados

Para indivíduos com histórico familiar de infarto precoce, a avaliação anual inclui lipidograma completo, glicemia em jejum e pressão arterial. Em casos suspeitos, a tomografia de coerência óptica (OCT) e o teste de esforço são indicados.

Abordagem emergencial e prevenção secundária

O protocolo de atendimento inclui angioplastia primária, uso de inibidores de plaquetas e estatinas de alta intensidade. A reabilitação cardíaca, aliada a mudanças de estilo de vida, reduz em 30% a reincidência.

Impacto econômico e no mercado de saúde

O aumento de infartos em jovens impulsionou a demanda por exames de imagem e monitoramento remoto, movimentando cerca de R$ 2,3 bilhões em 2025. Seguradoras ajustaram prêmios, e a indústria farmacêutica investiu R$ 450 milhões em novos moduladores de PCSK9.

Visão dos especialistas

"A mortalidade evitável em jovens reflete falhas no rastreamento familiar e na educação sobre sinais não clássicos," afirma o cardiologista Augusto Vilela. Ele destaca a necessidade de protocolos de triagem nas unidades básicas de saúde.

Recomendações práticas para a população

Realize check‑up anual, informe seu histórico familiar e não ignore sintomas como fadiga inexplicável ou palpitações. A prática regular de atividade física deve ser acompanhada por avaliação cardiológica a cada dois anos.

A Visão do Especialista

O cenário aponta para a urgência de políticas públicas que institucionalizem o rastreamento cardiovascular em menores de 40 anos. Investimentos em educação preventiva, acesso universal a exames de colesterol e campanhas de conscientização podem reduzir em até 12% os óbitos evitáveis nos próximos dez anos.

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