Um estudo recente vincula o consumo diário de bebidas açucaradas ao aumento significativo do risco de demência. Pesquisadores da Universidade Yonsei, na Coreia do Sul, analisaram mais de 118 mil adultos ao longo de 13 anos.

Os dados foram extraídos do UK Biobank, um dos maiores levantamentos de saúde do Reino Unido. Os participantes responderam a questionários sobre hábitos alimentares, incluindo a ingestão de refrigerantes e néctares.
Quem consumia mais de um copo de bebidas adoçadas por dia teve até 30 % mais chances de desenvolver doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. O efeito foi observado mesmo após ajustes por idade, sexo e índice de massa corporal.

O que revelam os dados do estudo?
O risco de demência cresceu de forma proporcional ao aumento da ingestão de açúcar líquido. Pessoas que bebiam duas ou mais porções diárias apresentaram risco ainda maior.
Trata‑se de um estudo observacional, que indica correlação, mas não prova causa direta. As informações sobre consumo vêm de autorrelatos, o que pode gerar imprecisões.
Outras pesquisas já apontam a mesma tendência, reforçando a preocupação da comunidade científica. Revisões sistemáticas associam o consumo excessivo de açúcar à deterioração cognitiva.
Quais são os mecanismos biológicos envolvidos?
O excesso de açúcar desencadeia resistência à insulina, prejudicando o metabolismo cerebral. A insulina tem papel crucial na regulação da energia dos neurônios.
Altos níveis de glicose promovem inflamação sistêmica, liberando citocinas pró‑inflamatórias que atingem o cérebro. Esse estado inflamatório acelera o declínio cognitivo.
A gordura visceral acumulada ao redor dos órgãos produz hormônios que aumentam o estresse oxidativo. O estresse oxidativo danifica as sinapses e favorece a formação de placas amiloides.
Como reduzir o risco na prática?
Substituir refrigerantes por água, chás sem açúcar ou café puro pode cortar a exposição ao açúcar adicionado. A hidratação adequada é essencial para a saúde cerebral.
- Água mineral ou filtrada;
- Chá verde ou preto sem adoçar;
- Café preto, preferencialmente com pouco ou nenhum açúcar;
- Água de coco natural, sem adição de néctar.
A nova rotulagem brasileira destaca "alto teor de açúcar adicionado" com um selo visual, facilitando a escolha consciente. Consumidores devem observar o conteúdo de açúcares por 100 ml.
Pesquisas continuam em andamento para definir a quantidade segura de açúcar líquido e a frequência ideal de consumo. Autoridades de saúde estão avaliando políticas de taxação de bebidas açucaradas.
Enquanto isso, a recomendação dos especialistas é moderar o consumo e priorizar alimentos e bebidas que ofereçam antioxidantes e fitoquímicos. Café e chá verde, por exemplo, contêm compostos que podem proteger o cérebro.
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