Lula (PT) lidera a preferência entre eleitores autodeclarados de centro, superando Flávio Bolsonaro (PL) por 14 pontos, segundo pesquisa do Datafolha. O levantamento foi divulgado em 28/03/2026 e analisa o cenário de primeiro turno para a Presidência da República.

A pesquisa foi conduzida entre 3 e 5 de março, com 2.004 entrevistas em 137 municípios, abrangendo eleitores a partir de 16 anos. O Datafolha utilizou a escala de 1 a 7 (1 = esquerda radical, 7 = direita radical) para identificar o posicionamento ideológico.
No grupo de centro (posição 4), Lula alcançou 31% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro ficou em 17%. Romeu Zema (Novo) obteve 9% e Ronaldo Caiado (PSD) 6%.

Como foi feita a pesquisa?
O instituto aplicou margem de erro de cinco pontos percentuais para o eleitorado de centro, e dois pontos para a amostra geral. O levantamento está registrado no TSE sob o código BR-03715/2026.
Na pesquisa geral, Lula também lidera Flávio por cinco a seis pontos, confirmando a vantagem do petista no conjunto total de eleitores. Os números refletem a mesma margem de erro de dois pontos.
No cenário de segundo turno entre Lula e Flávio, 41% dos centristas escolheriam Lula, contra 32% para o senador. O restante está dividido entre voto em branco (24%) e indecisos (3%).
Resultados no primeiro e segundo turno
Entre todo o eleitorado, a simulação de segundo turno mostra Lula com 43% e Flávio com 46%, indicando um empate técnico. A diferença numérica permanece dentro da margem de erro.
Na escala de 1 a 5 (1 = bolsonarista, 5 = petista), 19% dos entrevistados se posicionam no centro (número 3), evidenciando um bloco de eleitores independentes.
Distribuição percentual nas escalas ideológicas:
- Escala 1‑7: 15% no 1, 17% no 4, 29% no 7.
- Escala 1‑5: 28% bolsonaristas (1), 28% petistas (5), 19% centro (3), 7% no 2, 9% no 4.
Perfil dos eleitores de centro
Rejeição ao candidato: 45% dos centristas afirmam que não votariam em Lula, enquanto 51% rejeitam Flávio no primeiro turno. Entre os independentes (escala 3), as rejeições são 48% e 50%, respectivamente.
Apesar das rejeições, 79% dos eleitores de centro preferem que o próximo presidente adote políticas diferentes das de Lula. Esse sentimento se repete entre os não identificados como bolsonaristas ou petistas (81%).
Professor Sérgio Simoni, da USP, ressalta que a classificação "centro" pode variar em significado entre o público e a academia. Ele destaca a necessidade de cautela ao interpretar esses números.
O que dizem os especialistas?
Simoni aponta que, embora haja uma divisão consolidada entre petistas e bolsonaristas, mais de um terço dos eleitores ocupa posições intermediárias ou não se identifica fortemente com nenhum dos polos.
A desistência de Ratinho Junior, anunciada em 23/03, removeu um potencial concorrente e pode concentrar ainda mais os eleitores de centro nos dois principais candidatos.

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