Sônia Guajajara anunciou nesta semana que deixará o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) para concorrer à reeleição como deputada federal por São Paulo. A decisão foi formalizada ao submeter seu pedido de exoneração ao presidente da República.

Sônia Guajajara, deputada federal, deixa Ministério dos Povos Indígenas para disputar reeleição.
Fonte: redir.folha.com.br | Reprodução

Eleita pela primeira vez em 2022, a líder indígena recebeu 156.966 votos, representando o PSOL. Sua campanha destacou a frase "Nunca mais um Brasil sem nós", pronunciada na posse ministerial.

Durante seu mandato, Sônia conduziu a homologação de vinte terras e 21 portarias declaratórias. O ministério também reduziu em 98,77 % o garimpo ilegal na terra Yanomami.

Sônia Guajajara, deputada federal, deixa Ministério dos Povos Indígenas para disputar reeleição.
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Quais foram os principais marcos do Ministério dos Povos Indígenas sob sua gestão?

  • Homologação de 20 territórios indígenas.
  • Emissão de 21 portarias de declaração de terra.
  • Redução de 98,77 % do garimpo ilegal na região Yanomami.
  • Operações de desintrusão em áreas como Sararé (MT) e Vale do Javari (AM).
  • Projeto de lei que elevou a reserva de vagas para indígenas e quilombolas no serviço público de 20 % para 30 %.

O ministério enfrentou forte oposição do Congresso, que em maio de 2023 extinguiu os ministérios de Povos Indígenas e de Meio Ambiente. O centrão e a bancada ruralista pressionaram a retirada da pasta.

O debate sobre o "marco temporal" para demarcação de terras indígenas foi intensificado. Embora o STF tenha derrubado a tese em 2024, o Legislativo tentou aprovar a regra que restringe os direitos territoriais.

Sônia decidiu concorrer novamente pelo estado de São Paulo, onde o número de cadeiras na Câmara é maior. Ela argumenta que o colégio eleitoral paulista oferece maior potencial de votos que seu Maranhão natal.

Por que Sônia Guajajara escolheu concorrer novamente por São Paulo?

São Paulo dispõe de 70 vagas na Câmara dos Deputados, o que amplia as chances de reeleição. O cálculo eleitoral indica que a candidata pode alcançar um eleitorado mais amplo.

O PSOL confirmou a candidatura de Sônia na convenção partidária realizada em agosto de 2025. O processo interno seguiu as regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Eloy Terena, advogado e ex‑integrante da APIB, assumirá como secretário‑executivo do MPI. A transição foi anunciada no mesmo dia da exoneração da ministra.

O que resta para o Ministério dos Povos Indígenas após a saída de Sônia?

O plano temático dos Povos Indígenas, parte do Plano Nacional de Mudança do Clima 2024‑2035, continuará em execução. As metas de adaptação climática permanecem sob responsabilidade da nova equipe.

As operações de desintrusão em áreas como Alto do Rio Guamá (PA) e Kayapó (PA) seguem em curso, com apoio da Funai e da Polícia Federal. O cronograma prevê conclusão até o final de 2026.

As próximas etapas eleitorais incluem a inscrição de candidaturas entre 17 de agosto e 9 de outubro, com votação prevista para outubro de 2026. Sônia Guajajara deve registrar sua candidatura ainda nesta semana.

Sônia Guajajara, deputada federal, deixa Ministério dos Povos Indígenas para disputar reeleição.
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